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Abelhas aproximam estudantes da ciência e do meio ambiente

Projetos ambientais têm transformado áreas verdes da escola em espaços de pesquisa, cuidado e aprendizado 

Publicado em: 03/06/2026 14h02 | Atualizado em: 03/06/2026
Imagem composta de duas fotografias de crianças e adolescentes observando abelhas sem ferrão.

Atividade de observação de abelhas sem ferrão (Foto: Divulgação EMEF Prof. Antônio Duarte)

Na EMEF Professor Antônio Duarte de Almeida, no Jardim Guarani, zona leste de São Paulo, a educação ambiental ganhou asas — pequenas, silenciosas e fundamentais para a vida no planeta. Entre árvores, hortas e espaço verde espalhados pela unidade, estudantes aprenderam que as abelhas são muito mais do que insetos: são sinais vivos de equilíbrio ambiental, biodiversidade e cuidado com a natureza. 

A iniciativa faz parte das ações do Programa Mais Educação e é conduzida pelo professor de Ciências, Guilherme Prata. Com atividades práticas, investigativas e cheias de curiosidade, os estudantes transformaram os corredores, muros e árvores da unidade em um verdadeiro laboratório a céu aberto. 

Munidos de lupas, tablets e muita atenção, os estudantes participaram de uma espécie de “caça científica” para localizar ninhos de abelhas sem ferrão no espaço escolar, com o apoio do gestor Gustavo Feliciano, da Área de Proteção Ambiental Parque do Carmo. O resultado surpreendeu os estudantes: foram encontrados cinco ninhos de abelhas das espécies Jataí e Mirim Doriana nas paredes externas, revelando a riqueza ambiental existente dentro da própria unidade. 

“Quando os estudantes percebem que há vida acontecendo ali, nas árvores que eles passam todos os dias, muda completamente a relação deles com o espaço e com a natureza”, explica o professor. “As abelhas ajudam a despertar encantamento, curiosidade e, também, responsabilidade ambiental”, completa. 

A estudante Myrella Santos de Moraes, do 9º ano A, conta que o projeto mudou a forma como ela observa os insetos. “Aprendi que algumas espécies são inofensivas, pois não têm ferrão. Também são importantes porque polinizam e fazem mel”, comenta. 

Já Ivandemberg de Lima Silva, também do 9º A, destaca as descobertas sobre a relação das abelhas com os povos originários e a natureza. “Aprendi que as jataís são vistas por muitos povos indígenas como importantes ‘jardineiras da floresta’”, destaca. 

Além da observação das espécies já existentes, a unidade implantou um meliponário com abelhas Jataí, doado pelo Meliponário José Bonifácio. No entanto, a colônia não resistiu. Entre as hipóteses levantadas estão possíveis impactos da nebulização contra a dengue realizada na região ou até a presença de uma espécie arbórea tóxica para as abelhas. Agora, estudantes e educadores querem investigar as causas para tentar reocupar a caixa e devolver vida ao espaço. A experiência acabou ampliando ainda mais o olhar científico dos estudantes. “A educação ambiental também ensina a pesquisar, levantar hipóteses e entender que nem sempre teremos respostas imediatas”, afirma Guilherme. 

Os estudantes Victor Gabriel Souza Teixeira, Kayo Pereira de Assis e Gracia Zinga Cristel Benjamin, do 7ºB, também participam das ações ambientais desenvolvidas na escola. Entre as descobertas feitas ao longo do projeto, eles aprenderam sobre as características das abelhas sem ferrão, o mel produzido pelas espécies nativas e a importância da preservação ambiental. “As abelhas sem ferrão produzem um mel diferente, mais gostoso, e elas são menores”, comentam os estudantes. 

O projeto também despertou novos interesses no estudante Matheus Ribeiro Celestino, que quer estudar botânica futuramente. Durante quatro anos de participação no projeto, registrou plantas em cadernos, desenhando e fazendo anotações científicas sobre as espécies observadas no espaço escolar. “Eu anotava as plantas no caderno, fazia desenhos e descrições”, relembra. 

As abelhas desempenham papel essencial na polinização e na manutenção dos ecossistemas, sendo responsáveis pela reprodução de diversas plantas e pela preservação da biodiversidade. A presença delas em ambientes urbanos é considerada um importante indicador de qualidade ambiental. Na EMEF Antônio Duarte, a combinação entre áreas arborizadas, horta escolar e espaços verdes ajuda a criar um ambiente propício para esses polinizadores. E é justamente nesse contato cotidiano com a natureza que a escola vem fortalecendo a conscientização ambiental entre os estudantes. 

“O objetivo não é apenas ensinar sobre abelhas, mas formar crianças e jovens mais atentos ao meio ambiente e ao impacto das nossas ações no planeta”, destaca o professor. “Quando um estudante aprende a proteger uma abelha, ele começa também a entender a importância de proteger a vida”, conclui. 

Entre flores, descobertas e pequenos voos, a escola mostra que a educação ambiental pode nascer da observação mais simples e transformar a relação das novas gerações com o mundo ao redor. 

Veja o que mais acontece na Rede Municipal.

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