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Coordenadora pedagógica de escola da zona norte é finalista do Prêmio Educador Nota 10

Projeto que conecta escola, universidades e espaços culturais é destaque entre 3.900 inscritos

Publicado em: 03/09/2026 16h43 | Atualizado em: 08/09/2026

Coordenadora Michelle Mariano, sentada em destaque à esquerda, concorre ao prêmio

A coordenadora pedagógica Michelle Mariano Mendonça, da EMEF Raul de Leoni, está entre os 12 finalistas da 28ª edição do Prêmio Educador Nota 10, na categoria Inovação e Tecnologia. Ela concorre com o projeto “Rede Formativa: Fortalecendo Elos na Escola Pública”, que transforma os momentos de formação dos professores em espaços de pesquisa, troca de experiências e desenvolvimento de novas práticas pedagógicas.

A iniciativa destaca que os espaços de formação docente podem ir além da discussão dos desafios cotidianos e se tornar ambientes de pesquisa, diálogo e transformação das práticas educacionais.

Essa perspectiva está presente na trajetória de Michelle na Rede Municipal, marcada pela aproximação entre a escola, universidades, equipamentos culturais e profissionais de diferentes áreas. Em 2021, quando atuava na EMEF Veremundo Toth, participou da construção de um movimento educacional antirracista que culminou no sarau Lélia Gonzalez, com a participação da neta da escritora em uma formação com os professores. Já na EMEF Ana Silveira Pedreira, onde foi coordenadora por três anos, promoveu formações em parceria com a Fábrica de Cultura.

Na EMEF Raul de Leoni, onde está desde 2025, essa experiência ganhou novos contornos. O trabalho foi estruturado a partir da análise do cotidiano escolar, das avaliações internas e externas, do acompanhamento das aulas, do mapeamento do território e da escuta de professores e comunidade. A partir desse diagnóstico, as ações formativas passaram a ser planejadas de acordo com as necessidades e os desafios identificados na unidade. “A proposta busca fortalecer a formação continuada como um processo permanente de estudo, pesquisa, diálogo e transformação das práticas pedagógicas, aproximando o cotidiano escolar da produção acadêmica e dos espaços culturais”, explica Michelle.

A formação acontece em diferentes momentos da rotina escolar, como reuniões e saídas pedagógicas, no Projeto Especial de Ação (PEA) e na Jornada Especial Integral de Formação (JEIF). Entre os temas trabalhados estão educação antirracista, democracia, pesquisa e prática docente, literatura e Academia Estudantil de Letras (AEL). Mais do que apresentar conteúdos, as atividades procuram relacionar conhecimento teórico e prática pedagógica, estimulando os professores a repensar metodologias, planejamento e avaliação e a construir propostas mais significativas para os estudantes.

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Esse movimento é fortalecido pela participação de profissionais de diferentes áreas. Em 2025, contribuíram com as formações Iracema Nascimento, da Faculdade de Educação da USP (FEUSP); Samir Mustapha, da PUC-SP e da SME; e Luan Orion Baraúna, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em 2026, a rede de colaboração foi ampliada com a formadora de cinema Rita Leão, a assistente social Adriana Caldas e o artista, poeta e cantor Cocão Avoz.

A aproximação entre esses diferentes campos de conhecimento já se traduz em novas experiências para os estudantes. Após a participação de Samir Mustapha, por exemplo, o professor de História criou o 1º Prêmio Literário da escola. A parceria com Luan Orion Baraúna ampliou as possibilidades de projetos científicos, com atividades de pesquisa, mapeamento e identificação de pássaros, além do uso de equipamentos e instrumentos ópticos. Já a participação de Cocão Avoz levou música e poesia para a escola, em uma atividade que reuniu conversa e participação dos estudantes e abriu novas possibilidades de trabalho com literatura e SLAM.

Os reflexos também aparecem no cotidiano da unidade, com o fortalecimento das saídas pedagógicas, dos projetos interdisciplinares, das ações de incentivo à leitura e da produção literária e poética. O uso de jogos de tabuleiro no intervalo e como ferramenta pedagógica é outro exemplo de prática que ganhou espaço a partir das reflexões desenvolvidas nas formações.

Desta forma, o reconhecimento como finalista do Prêmio Educador Nota 10 amplia essa experiência para além dos muros da escola. “É inspirando e cativando um novo olhar docente que a sala de aula se reinventa, a escola muda e a formação se poetiza. E nessas tentativas, entre acertos e tropeços, de repente a gente acerta e descobre que também cativou os estudantes”, conclui.

Saiba mais sobre as ações da Rede Municipal.

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