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Estudantes da EMEF Marechal Mascarenhas exploram São Paulo em aulas expandidas de história, arte e cultura 

O projeto transforma espaços urbanos em potentes salas de aula a céu aberto

Publicado em: 01/10/2025 7h00 | Atualizado em: 01/10/2025
Aulas Expandidas

Foto: Professor Marcos do Carmo – EMEF Marechal Mascarenhas

Em busca de aprender além das salas de aula e vivenciar experiências pedagógicas transformadoras em espaços urbanos significativos da cidade, estudantes da EMEF Marechal Mascarenhas de Moraes, vinculada à Diretoria Regional de Educação (DRE) do Ipiranga, percorrem as ruas paulistanas em uma jornada educativa única com aulas expandidas de de história, arte e cultura . 

Desde 2022, o projeto “Expansão da aula para além dos muros da escola: hoje a aula é no cemitério”, idealizado pelo professor, historiador e arte-educador Marcos Roberto da Silva do Carmo, utiliza necrópoles paulistanas como territórios vivos de ensino interdisciplinar. Nesses espaços, disciplinas como história, artes visuais, filosofia, sociologia e memória coletiva se entrelaçam de forma inovadora. 

A proposta muda a forma tradicional de ensinar: as aulas expandidas acontecem na observação, na escuta e na forma como os estudantes interpretam o espaço — e não só na fala do professor. Entre os locais visitados, um se destaca: o Cemitério da Consolação. 

“Já pensou ter uma aula ao lado de Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Luiz Gama ou Oswald de Andrade? Isso é possível no Cemitério da Consolação”, provoca Marcos, que está na Rede Municipal há 30 anos e há seis leciona na unidade. 

Com apoio da equipe gestora, coordenação pedagógica e das famílias, o projeto se consolidou e hoje integra o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola. Ao longo do tempo, outros espaços de memória foram incorporados à proposta: o centro histórico de São Paulo, o Pátio do Colégio, o Parque da Independência (onde está a cripta de D. Pedro I) e o MAE-USP (com urnas funerárias marajoaras). Juntos, compõem um itinerário educativo contínuo do 6º ao 9º ano, impactando mais de 250 estudantes. 

Os reflexos do projeto são percebidos tanto no ambiente escolar quanto fora dele. Os estudantes apresentam maior repertório cultural, protagonismo, empatia, criticidade e engajamento na relação com os espaços da cidade. 

Uma das práticas centrais do projeto é a utilização do transporte público como extensão do ambiente educacional. Acompanhados pelo professor, os adolescentes se deslocam pela cidade usando metrô e monotrilho, aprendendo na prática sobre mobilidade urbana, cidadania, segurança coletiva e respeito ao espaço público. 

“É bonito ver a transformação. O estudante que antes mal saía do bairro volta ao centro com a família, leva os amigos ao Teatro Municipal e visita museus. A cidade deixa de ser só cenário e passa a fazer parte do seu repertório”, relata o professor. 

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