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HQs produzidas por professor da Rede Municipal em parceria com Unifesp debatem desafios da adolescência

Jovenilda, personagem principal das histórias, foi inspirada em aluna negra e moradora da periferia de São Paulo

Publicado em: 30/01/2023 16h20 | Atualizado em: 30/01/2023

Ilustração de uma jovem negra que é personagem da Revista Jovenilda e sua turmaO Projeto Adole-sendo, coordenado pela professora Sabine Pompeia, da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, lança histórias em quadrinhos com resultados de pesquisas científicas para debater preconceitos relacionados à adolescência. A parceria é com o quadrinista e professor da rede municipal de São Paulo, Marcos Roberto da Silva Moreira.

O Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos é comemorado nesta segunda-feira (30), janeiro também é o “Mês da Saúde Mental”, uma boa oportunidade para debater os resultados trazidos pelos cientistas.

As HQ’s da Turma da Jovenilda podem ser lidas aqui, no portal Adole-sendo, que tem conteúdos específicos para adolescentes, pais, professores e pesquisadores.

Jovenilda é uma personagem inspirada em uma aluna da Rede Municipal matriculada no 9º ano do Ensino Fundamental. Ela é negra e moradora da periferia. Todas as suas características (físicas e de personalidade) foram escolhidas por um grupo de adolescentes que ajudaram a criá-la durante a pandemia da COVID-19 e que, na época, estavam vinculados à Escola Municipal de Ensino Fundamental Joaquim Osório Duque Estrada, na Zona Leste de São Paulo.

O pano de fundo da narrativa é o dia a dia dos estudantes, em casa e na escola. Para criar esses quadrinhos, o professor Marcos e os seus alunos tiveram a ajuda de outro quadrinista e pesquisador da área de divulgação científica, o Carlos Antônio Teixeira. Eles se inscreveram no concurso de quadrinhos.

Na primeira HQ, “Jovenilda Confinada”, cada página foi feita por um estudante. A história que abre a narrativa traz o sentimento de decepção e medo da pandemia, que frustrou os planos de entrada no nono ano da turma. Os quadrinhos também abordaram a falta de acesso à tecnologia para assistir as aulas online durante a pandemia devido à questões financeiras; o fato de muitos patrões não dispensarem suas empregadas domésticas mesmo nos períodos mais críticos do isolamento social; o ganho de peso por ficar tanto tempo em casa sem se exercitar; a busca por novos hobbies e, principalmente, a saudade dos amigos. 

O objetivo é que as histórias em quadrinhos sirvam de ferramenta para que os adolescentes entendam mais sobre si mesmos e, possivelmente, também ajudem a iniciar conversas entre eles e os adultos sobre sentimentos e comportamentos típicos desse período da vida.

Projeto tem apoio da Fapesp

A iniciativa é uma das atividades do Projeto Temático “Efeito do desenvolvimento puberal na autorregulação do comportamento e suas relações com as condições de vida atual e pregressa”, apoiado pela FAPESP que envolve uma equipe de mais de 20 pesquisadores, graduandos e pós-graduandos de diversas universidades do Brasil e do exterior, bem como pessoal de apoio técnico.

 “Nós tivemos um olhar especial para as mudanças na autorregulação do comportamento, ou seja, no autocontrole, associado às alterações de regiões frontais do cérebro, que são as últimas a amadurecerem. A ideia era entender a maturação dos comportamentos no início da adolescência, a fase em que há muitas transformações do corpo e cérebro, para investigar como essa maturação se relaciona com fatores bio-psico-sociais como puberdade, estresse, saúde física e mental e ambiente”, explica Sabine Pompeia coordenadora das pesquisas.

Nova etapa dos quadrinhos

Na fase atual do trabalho, o professor Marcos Moreira e a professora Sabine Pompeia estão desenvolvendo novas narrativas para os quadrinhos, com foco nas descobertas científicas do grupo de pesquisa da Unifesp. 

Alguns destes temas surgiram em conversas com os estudantes, mas a maior parte tenta aliar conhecimentos científicos do dia a dia dos jovens para discutir conceitos pré-estabelecidos sobre essa fase da vida que, muitas vezes, não tem base científica.

“Soltando o verbo com Jovenilda” foi publicado no fim de 2022, e “Jovenilda: acordos x conflitos” está em fase de produção.  

“Existe muito preconceito sobre essa faixa etária. Nós descobrimos, por exemplo, que eles não se arriscam tanto quanto as pessoas imaginam. Além disso, eles têm muita coragem e garra, ou seja, têm plena capacidade de fazer esforço para atingir o que querem. Estes são alguns aspectos que estamos discutindo nos quadrinhos”, destaca Sabine Pompeia.

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