Notícias

Esgrima abre caminhos e revela talentos no CEU Paraisópolis

Projeto leva esporte pouco acessível a crianças e adolescentes, promovendo desenvolvimento, autoestima e novas oportunidades dentro e fora da comunidade

Publicado em: 10/04/2026 11h18 | Atualizado em: 08/04/2026

Fotografia de um professor ao centro e estudantes ao seu lado direito e esquerdo com roupa de esgrima e algumas espadas.  

Um esporte pouco comum no Brasil, a esgrima tem transformado a rotina e o futuro de crianças e adolescentes em Paraisópolis. Inspirado no universo dos duelos e no lema “um por todos e todos por um”, o projeto “Mosqueteiros” democratiza o acesso à esgrima e revela talentos onde antes faltavam oportunidades. 

Criada em 2014 pela Associação Brasileira de Esgrimistas (ABE), presidida pela ex-atleta olímpica Maria Júlia Herklotz, a iniciativa nasceu com um objetivo claro: levar a modalidade a quem dificilmente teria acesso. Às quartas-feiras, das 12h às 13h, entre máscaras, espadas e passos precisos, oito alunos se reúnem no CEU Paraisópolis para aprender muito mais do que técnicas de combate. 

No espaço, a esgrima se transforma em ferramenta de desenvolvimento. Coordenação motora, condicionamento físico e, principalmente, autoconfiança fazem parte do processo. “Às vezes, é uma criança que não se encontra em outros esportes. Aqui ela descobre algo que gosta, começa a ter resultados e se sente acolhida. Isso muda muita coisa”, explica o atleta profissional e professor Richard Grunhauser, responsável pelas aulas. 

Os resultados já começam a aparecer dentro e fora do CEU. No ano passado, três alunos participaram de um campeonato brasileiro, em Porto Alegre. Mesmo no início da trajetória, o desempenho foi animador: cada um venceu ao menos uma disputa na fase de grupos. “Para quem estava na primeira competição, contra atletas que treinam todos os dias, foi extremamente positivo”, destaca. 

Dois estudantes treinando esgrima e o professor observando.

Em Paraisópolis, cada toque válido vai além da pontuação: representa um avanço na construção de novas possibilidades. Para o futuro, o objetivo é claro: criar pontes e ampliar horizontes. “Eu quero que essas crianças tenham oportunidade de chegar a clubes, conseguir bolsas, construir um caminho no esporte. A esgrima pode ser uma porta para muita coisa”, reforça o professor. 

Neste cenário, iniciativas como o projeto “Mosqueteiros” ganham ainda mais relevância ao aproximar a modalidade de crianças e adolescentes que, de outra forma, dificilmente teriam contato com o esporte. O aluno José Henrick de Almeida Barbosa, de 11 anos, conta que não conhecia a esgrima e foi incentivado por um amigo. Já são cinco meses de prática e mudanças na sua vida. “Fiquei mais ágil e disposto. Melhorou minha disciplina, meu raciocínio e reflexos. É o melhor esporte que eu já fiz”, avalia Barbosa. 

Já Ayla Vitória Macedo Lima, de 12 anos, descobriu a modalidade por meio de uma animação. “Eu a conheci pelo desenho Miraculous e fiquei curiosa. Já tinha começado antes e agora voltei. Eu incentivo outras pessoas a fazerem também. No futuro, pretendo seguir carreira”, conta Ayla. 

Sonhos e metas  

Entre os oito participantes atuais — seis meninos e duas meninas —, o interesse pela esgrima cresce junto com os sonhos. Para muitos, o primeiro contato acontece ali, no próprio CEU, despertando não só a curiosidade, mas também o desejo de ir além. “Eu faço esgrima há quatro anos e me inspiro muito nos atletas, principalmente no Régis Trois. Quero ser um atleta profissional”, afirma Derick Silva de Oliveira, de 11 anos. 

O entusiasmo se reflete nas metas traçadas pelos alunos, que já começam a enxergar possibilidades no esporte. Matheus Santos Tenório, também de 11 anos, compartilha do mesmo objetivo e não esconde a ambição. “Quero ser campeão, ganhar medalha de ouro no Brasil e ser reconhecido no esporte”. 

Inscrições 

Para participar das aulas, basta procurar a secretaria do CEU Paraisópolis e realizar a inscrição. O projeto é gratuito e fornece todo o material necessário, o que faz diferença em um esporte cujo equipamento completo pode ultrapassar R$ 10 mil. O faixa-etária é para o público entre 7 e 14 anos, seja estudantes da rede municipal ou da comunidade. Não precisa ter experiência prévia. 

Com capacidade para até 15 alunos por turma, o projeto já planeja expansão, mas esbarra em um desafio comum a iniciativas sociais: o financiamento. “A gente precisa de apoio para continuar. Já tivemos momentos em que o projeto quase parou. Hoje estamos mais estruturados, mas ainda dependemos de incentivo para crescer”, conclui Grunhauser. 

Notícias Mais Recentes

Relacionadas

Grupo de estudantes usando coletes do Recreio nas Férias participando do evento Anime Friends 1

Mais de 2.500 inscritos no Recreio nas Férias participaram do Anime Friends 2024

Publicado em: 29/10/2024 10h37 - em Secretaria Municipal de Educação

Fotografia mostra grupo de pessoas sentadas em auditório olhando para frente onde há uma mulher de pé segurando um microfone. Atrás dela há uma tela onde se lê

Secretaria Municipal de Educação promove encontro sobre prevenção escolar

Publicado em: 29/10/2024 10h18 - em Secretaria Municipal de Educação

Imagem da mão de uma estudante segurando um lápis sobre um caderno de provas.

Estudantes do Ensino Médio das escolas municipais participam de Provão Paulista Seriado

Publicado em: 29/10/2024 8h32 - em Secretaria Municipal de Educação

Fotografia mostra um Centro Educacional Unificado por fora.
Fotografia tirada na Cinemateca Brasileira mostra crianças sentadas em sala de projeção.
1 … 238 239 240 241 242 … 1.706