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Projeto em escola do Jardim Ângela traz olhar atento das crianças para o território onde vivem
Iniciativa da EMEI Parque Bologne envolve leitura, mapas, fotografia, passeios e participação das famílias para aproximar os pequenos da história e da identidade do bairro
Publicado em: 19/05/2026 15h30 | Atualizado em: 22/05/2026 
A EMEI Parque Bologne, localizada no Jardim Ângela, desenvolve com as turmas mistas 7F e 7G o projeto “Conhecendo Minha Quebrada”, iniciativa que convida as crianças a investigarem e valorizarem o território onde vivem. Conduzida pelas professoras Renata Moura e Naiany Costa, a proposta busca ampliar o olhar das crianças sobre o bairro, reconhecendo-o como espaço de aprendizagem, memória, cultura e pertencimento.
O projeto teve início a partir da carta de intenção das professoras, com o objetivo de aprofundar o estudo do território do Jardim Ângela e incentivar as crianças a observarem o entorno para além dos muros da escola.
“A proposta parte da compreensão de que o bairro é um território vivo, formado por histórias, afetos, pessoas e experiências que contribuem para a construção da identidade das infâncias”, explica a professora Renata Moura.
As atividades começaram com a música “Eu”, do grupo Palavra Cantada, que despertou reflexões sobre origem, família e pertencimento. A partir da canção, as crianças compartilharam histórias familiares, conheceram suas árvores genealógicas e participaram de encenações inspiradas nos personagens da obra.
Ao longo do projeto, a leitura da obra “Na Minha Área” tornou-se referência para as discussões sobre diferentes territórios, culturas e modos de vida. As crianças passaram a relacionar as leituras com as suas próprias vivências, trazendo relatos e experiências sobre os lugares onde vivem e brincam.
As famílias também participam ativamente da iniciativa, contribuindo com fotografias, objetos e relatos sobre o bairro e suas trajetórias de vida. As propostas envolveram ainda atividades de localização espacial com globos, mapas e ferramentas digitais, favorecendo a compreensão de conceitos como rua, cidade, país e planeta, além da construção da ideia de “meu lugar no mundo”.
Durante o desenvolvimento das atividades, as crianças conheceram o trabalho da artista Aline Guimarães, em ações voltadas à representatividade e valorização da identidade negra, além das fotografias de Bruno Ita, que retratam o cotidiano e as potências das periferias. As imagens despertaram identificação imediata das crianças com os espaços, brincadeiras e cenas do próprio território.
“Outro destaque do projeto foi a construção de um mapa afetivo do Jardim Ângela. Com base nas pesquisas familiares e nas experiências compartilhadas em sala, as crianças identificaram lugares importantes do bairro e representaram espaços marcantes de suas vivências, fortalecendo vínculos com o território e ampliando a noção de pertencimento”, relata a professora Renata.
As atividades foram aprofundadas com o uso de mapas reais e imagens de satélite, nos quais as crianças localizaram a escola, ruas e pontos de referência da comunidade, como posto de saúde, terminal de ônibus, parque e comércios locais.
Além disso, foi realizado um passeio pelo bairro para reconhecimento dos espaços estudados e realização de registros fotográficos feitos pelas próprias crianças. A proposta culminará em uma exposição com as imagens produzidas durante o percurso, consolidando as aprendizagens e valorizando o território como espaço educativo e de construção de identidade.
A professora Renata destaca a importância da iniciativa para fortalecer o vínculo das crianças com o território onde vivem. “Projetos como este são fundamentais para desconstruir os estereótipos que muitas crianças carregam sobre o próprio bairro. A favela também é espaço de cultura, arte, memória e histórias potentes que precisam ser valorizadas”, afirma.
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