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Africanidades são tema de projeto em escola da zona leste
O jogo de Mancala e os Adinkras foram objetos de estudo dos participantes do projeto
Publicado em: 27/06/2019 16h10 | Atualizado em: 30/11/2020
Através de duas leis federais (10.639/03 e 11.645/08), que tornou obrigatório o ensino da história, cultura e artes africanas, afro-brasileiras e indígenas nas escolas, é realizado no Centro Educacional Unificado (CEU) Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Cândida Dora Pino Pretini, a desconstrução de estereótipos negativos que foram introduzidos nos currículos escolares, se tratando das culturas africana e afro-brasileira e ajuda a combater o racismo dentro do ambiente escolar.
O projeto “Mancala Awelé e Africanidades” é coordenado pelo professor de Educação física Robson Gonçalves da Silva, e atende aproximadamente 60 estudantes dos ciclos de alfabetização, interdisciplinar e autoral. O professor explica que eles participam do projeto as segundas, quartas e sextas-feiras no contra turno escolar. “Com o projeto, procuro apresentar aos alunos o jogo de tabuleiro africano Mancala Awelé e todos os aspectos históricos e culturais em que o jogo está envolvido”, disse o professor.
Robson explica que o Mancala Awelé é parte da cultura de diferentes povos africanos, trazendo com ele elementos particulares destes povos. “Existem mais de duzentas formas de jogar o jogo que também é conhecido por diferentes nomes dentro de África”, afirmou.

O professor contou que a versão Awelé do jogo Mancala é praticado na Costa do Marfim e em Gana, que além do jogo Awelé, possuem outros elementos que caracterizam seus povos, como os mantos ou tecidos, línguas, danças, músicas e costumes. Esta diversidade dentro do continente africano abre um leque de oportunidades para se trabalhar diversos conteúdos dentro do projeto, que além do jogo, introduz alguns temas relacionados com a cultura africana e afro-brasileira. Dentre estes temas está a relação dos mantos africanos com o jogo e a cultura africana.
Para trabalhar o tema dos mantos foi escolhido o povo Akan e os mantos com os Adinkras, característicos da região de Gana e Costa do Marfim. “Os Adinkras transmitem a sabedoria ancestral, ideias, conceitos, valores, virtudes, ética e política do povo”, explicou a arte-educadora Jêniffer de Paula, que trabalha na Casa de Cultura Hip Hop Leste, na Cidade Tiradentes e foi parceira na execução do projeto ministrando uma oficina de tratamento de tecidos antes e pós-pintura. “Estes símbolos eram usados apenas pela realeza e por líderes espirituais”, concluiu.

Durante a execução do projeto, os alunos conheceram diferentes tipos de tecidos africanos e a relação deles com os povos, bem como dezenas de símbolos Adinkras com seus significados e valores e foi solicitado que selecionassem alguns símbolos que mais se identificavam.
A oficina ministrada por Jêniffer ocorreu na quarta-feira (19) em um dos ateliês do CEU São Rafael, onde os alunos produziram moldes dos símbolos escolhidos, desenharam no tecido e pintaram. Estes tecidos foram recortados em forma de batas, que serão utilizadas pelos alunos do projeto no Torneio Regional de Mancala Awelé de São Mateus, que acontecerá no dia 28 de junho, no CEU Alto Alegre.
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