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Estudantes brasileiros e estrangeiros participam juntos de encontros para combater problemas de convívio no ambiente escolar

Ação é coordenada quinzenalmente pelos próprios estudantes na EMEF Infante Dom Henrique

Publicado em: 24/09/2019 12h08 | Atualizado em: 30/11/2020
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Na região do Canindé, um bairro localizado na região central de São Paulo, encontramos estudantes brasileiros e estrangeiros na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Infante Dom Henrique participando juntos de reuniões quinzenais como forma de combater os mais diversos problemas de convívio, entre eles: bullying, extorsão e discriminação.

O projeto teve início em 2012 na unidade sob a coordenação da equipe gestora com objetivo de compreender silêncios e barreiras presentes no dia a dia dos estudantes. A princípio, eram convidados apenas estrangeiros e filhos de imigrantes para as reuniões. A partir dessa primeira aproximação, os problemas foram trazidos à tona para discussão entre os estudantes. A divisão era tão forte, que o grupo chegou a sugerir uma sala exclusiva para os imigrantes.

Diante desse fato, a escola se mobilizou apostando em estratégias de apoio e integração entre os diferentes grupos.

Nas reuniões, uma das propostas de intervenção com os estudantes é a dinâmica de grupo, uma das atividades mais marcantes realizada com os estudantes se chama “fantasma”. Em uma folha de papel, estudantes eram convidados a representar com imagens ou textos os grandes problemas enfrentados na escola. A partir das representações dos alunos e alunas, a turma dialoga em pequenos grupos compartilhando seus medos, anseios e dificuldades, recebendo em troca carinho, apoio e solidariedade.

Outra atividade escolhida para promover a integração foi “convidar um amigo brasileiro” para as reuniões.

Os encontros deixaram de discutir pautas comuns entre imigrantes e passaram a apostar na empatia, no conhecimento e valorização da cultura do outro. Desta forma, os estudantes passaram a fazer relatos detalhados sobre a sua vida.

A nova versão do projeto está em andamento desde julho deste ano, sendo coordenada por quatro estudantes dos nonos anos: Alison dos Santos Montino, Cleiciane Silva Sousa, Ikram Boublaou (Marrocos) e Lukas Araújo Silva, auxiliados pela Professora de Língua Portuguesa, Fernanda Zientara do Nascimento. Até o momento, foram promovidos três encontros sob esse novo formato, sempre às terças-feiras no horário de aula.

Em cada encontro, participam em média 35 estudantes, os alunos recebem um convite feito pelos próprios alunos coordenadores que elegem como prioridade a participação de alunos imigrantes ou descendentes e outros estudantes interessados pelo tema.

Ações pedagógicas realizadas pela EMEF Infante Dom Henrique

Uma das formas utilizadas pela equipe gestora e docente da unidade para promover a autonomia dos estudantes nas aulas são os roteiros de aprendizagem, os roteiros são percursos individuais de aprendizagem guiados pelos eixos narrativos estabelecidos para cada bimestre.

Os estudantes têm flexibilidade para escolherem as matérias que irão estudar naquele dia, todas relacionadas com o tema de seu roteiro. Além disso, têm duas aulas fixas, que funcionam como oficinas, onde o professor utiliza para tirar dúvidas, trabalhar algum tema específico do roteiro ou tratar algum assunto de interesse do grupo.

As aulas acontecem nas chamadas “salas ambientes”, onde os professores de diferentes componentes curriculares ficam à disposição dos alunos e alunas, atuando como mediadores do processo de ensino e aprendizagem. É importante destacar que durante as aulas nas salas ambientes, os estudantes se locomovem durante os intervalos das aulas e sentam em grupos com colegas de diferentes turmas (6º ao 9º ano), trocam ideias e informações sobre diferentes assuntos referentes ao seu roteiro ou algum outro assunto de interesse do grupo.

A escola possui aproximadamente 300 estudantes do 5º ao 9º ano, dentre eles, boa parte advindos de vários países: Bolívia, Paraguai, Marrocos, Bangladesh, Estados Unidos, Angola dentre outros, representando um total de 20% dos estudantes da escola. As dependências da unidade são sinalizadas em quatro idiomas: Português, Inglês, Espanhol, Árabe e em breve, Bengali, devido ao crescente número de estudantes. Além das ações mencionadas, a escola também é polo do Curso de Português para imigrantes, a iniciativa é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) e tem o objetivo de promover os direitos para a população imigrante da cidade de São Paulo, assegurando seu acesso, permanência e aprendizagem na escola, propiciando sua inserção no mercado formal de trabalho e promovendo sua regularização migratória.

A unidade também aguarda a mudança do nome da escola, que passará a se chamar EMEF Espaço de Bitita, em homenagem a Carolina Maria de Jesus.

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