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Prefeitura cede instalações do antigo Tietê para funcionamento da Zumbi dos Palmares

Ato realizado no dia 15 de setembro reuniu alunos, professores, funcionários e autoridades

Publicado em: 03/10/2016 17h23 | Atualizado em: 04/05/2021

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Centenas de alunos, professores, funcionários, autoridades e demais convidados celebraram, em ato realizado no dia 15 de setembro no auditório da Faculdade Zumbi dos Palmares, a assinatura realizada em julho, pelo prefeito Fernando Haddad, do termo de cessão do espaço do antigo Clube de Regatas Tietê para funcionamento da Faculdade Zumbi dos Palmares. A instituição é a única faculdade afro-brasileira do país com políticas específicas de incentivo à inclusão social e racial.

“Hoje celebra-se aqui uma história parcialmente concluída, da luta para garantir segurança jurídica e um chão para a Zumbi dos Palmares. Ela fica, assim, onde funcionou por 90 anos o antigo Clube de Regatas Tietê. Agora, uma nova história começa a ser construída por uma Zumbi dos Palmares que vai viver, vai durar bem mais de 90 anos. E essa nova história está só começando”, saudou a Vice-Prefeita de São Paulo e Secretária Municipal de Educação, Nádia Campeão, que representou o prefeito Haddad na solenidade.

Ela foi uma das principais negociadoras e acompanhante dos entendimentos entre a Zumbi e a Prefeitura, que culminou na cessão da área. A Vice-Prefeita e Secretária Municipal de Educação paulistana confessou o seu orgulho por ter se dedicado e participado da “solução, ter ajudado a trilhar o caminho que chegou a esta cessão”.

Nádia falou após o diretor da faculdade, José Vicente, em emocionado discurso, fazer um histórico da Zumbi. A cerimônia foi aberta com a exibição de um vídeo, narrado pelo ator Milton Gonçalves, com a história de 13 anos da Faculdade e depoimentos do ex-presidente Lula (que assinou o decreto autorizando sua criação), do prefeito Haddad, de diversos ex-ministros da Educação, do banqueiro Pedro Moreira Salles e de lideranças da comunidade negra, dentre as quais a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) e a ex-primeira-dama da África do Sul e de Moçambique, Graça Machel.

Negros eram expulsos do clube – José Vicente destacou que a faculdade está orgulhosa “do trabalho de todos os seus filhos” e historiou a saga da Zumbi, criada em 2002 e em funcionamento desde o ano seguinte. Ele rememorou a caminhada dos negros pela emancipação e inclusão social dos negros no Brasil, lembrando que quando criança o ator Milton Gonçalves entrou numa festa no Tietê e foi expulso, discriminação vivida anos mais tarde por mais quatro jovens negros “que entraram e foram jogados para fora dos muros do clube”. Estes jovens participaram da criação do Movimento Negro Unificado.

Há anos funcionando nas instalações do antigo Tietê depois de passar por vários endereços, a Zumbi, segundo seu diretor, chegou a ser processada pelo clube e despejada do local. Teve a luz cortada e funcionou por 60 dias com luz fornecida por geradores, até que fosse concedida a reintegração de posse do local. “Ficamos 60 dias sitiados por aquela diretoria do clube”, acentuou José Vicente.

Ele acrescentou, ainda, que o funcionamento da Zumbi é uma demonstração de que “não é verdade que os negros no Brasil estão destinados apenas a alguns papéis” como jogador de futebol e empregada doméstica. “Nós tínhamos um sonho, sim, nos juntamos às outras pessoas e o concretizamos” assinalou José Vicente observando que depois de 350 anos de duração da escravidão no Brasil e de 128 anos após a abolição, a Zumbi é a concretização do sonho de negros que se juntaram para preparar outros negros para outros papéis.

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