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Mostra antirracista transforma EMEI Antonio Bento em espaço de celebração e resistência

Exposição reúne produções das crianças e evidencia o trabalho contínuo da unidade na valorização da cultura afro-brasileira e no combate ao racismo

Publicado em: 09/12/2025 13h30 | Atualizado em: 11/12/2025

“Onde Houver Intolerância, que nossa resposta seja mais educação.” A frase, exibida logo na entrada na escola, recepcionou familiares e visitantes da Mostra Cultural antirracista realizada pela EMEI Antonio Bento. A exposição, intitulada “Ancestralidade e Memória: Conexão com as raízes”, apresentou o resultado de um ano de práticas voltadas à valorização da cultura africana e afro-brasileira, em diálogo com o Projeto Político-Pedagógico da unidade e com o Currículo da Cidade. 

Organizada como uma exposição museológica, a Mostra reuniu produções das crianças que evidenciam discussões sobre identidade, pertencimento e combate ao racismo estrutural. O primeiro dia de visitação, realizado na sexta-feira (5), movimentou a escola com grande participação das famílias e educadores. 

Entre as obras expostas estavam desenhos inspirados em trajes africanos, murais com artistas negros escolhidos pelas crianças, registros fotográficos de brincadeiras africanas vivenciadas ao longo do ano e a árvore “Baobá”, onde cada criança depositava frases, pensamentos e desejos para o futuro. A experiência estética também percorreu pinturas faciais, acessórios de cabelo e diferentes formas de expressão que variaram de sala para sala. 

A participação das famílias

Para a comunidade escolar, a iniciativa reforçou o sentimento de pertencimento. Marcelo Kurschal, pai do estudante Cadu, destacou a atuação da gestão escolar. “É um movimento da diretora que torna o espaço mais inclusivo, bonito e acolhedor”, afirmou. A mãe, Lígia Vieira, também percebeu continuidade no trabalho: “Nada ficou restrito ao mês de novembro. Desde os livros até as brincadeiras e as comidas típicas, tudo foi trabalhado semanalmente. No primeiro semestre, estudamos povos originários; no segundo, povos africanos”. 

A mãe de Lais, Joseane Santos, reforçou o impacto do projeto. “Eu, como mãe negra, me sinto revigorada com os trabalhos realizados. Se todos pudessem ver com os próprios olhos, sentiriam o mesmo que eu”, relatou. 

Um currículo que sustenta as práticas

As ações da EMEI são orientadas pelas propostas do Currículo da Cidade e pelo trabalho do Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (NEER), que promove práticas antirracistas, inclusivas e acolhedoras. Além disso, temas como a História e Cultura Afro-Brasileira são obrigatórios nas Unidades Educacionais conforme a Lei Nº 10.639. A Rede Municipal também dispõe de um amplo acervo de livros voltados à educação antirracista, alinhados às Leis Federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008.   

Para a equipe gestora, essa base curricular é determinante. “O Currículo da Cidade nos respalda para aprofundar a ancestralidade e os mitos como elemento central das origens das civilizações africanas, sem intenção religiosa, mas reconhecendo a importância das raízes que formam a população negra brasileira”, explicou a Coordenadora Pedagógica, Judith Aquino. 

A unidade desenvolveu, de fevereiro a junho, um projeto que culminou em uma mostra cultural no meio do ano, focada nos povos originários. No segundo semestre, a temática central voltou-se para o combate ao racismo e para o estudo das culturas africanas e afro-brasileiras. “Em agosto, comunicamos às famílias como seria o trabalho, e seguimos nos próximos meses detalhando e apresentando um contexto para cada prática”, completou a Assistente de Direção, Gilmara dos Santos. 

Estudo e ancestralidade

Os educadores realizaram um trabalho profundo de estudo e seleção de materiais da SME, incluindo livros e propostas pedagógicas alinhadas às orientações do NEER. Artistas como Emicida, Jorge Ben Jor e Elza Soares foram trabalhados em vivências que exploraram música, poesia e identidade negra. Já a ancestralidade foi tratada como parte essencial do ensino sobre as culturas africanas, considerando seus símbolos, histórias e legados.  

A culinária também esteve presente nas vivências, aproximando as crianças de sabores e narrativas da diáspora africana. Um dos momentos mais significativos foi a confecção das bonecas Abayomi, símbolo afro-brasileiro de afeto, resistência e identidade, uma atividade realizada sempre com a participação das famílias, que acompanharam cada etapa do processo. 

Uma mostra que revela processos 

A exposição marcou o encerramento de um ciclo de vivências antirracistas que atravessaram o ano letivo, revelando o empenho da EMEI Antonio Bento em promover uma educação que reconhece, celebra e respeita as raízes e as histórias das crianças e de suas famílias. “O projeto da Unidade reafirma, assim, a necessidade de um currículo vivo, comprometido com equidade, justiça racial e o reconhecimento da ancestralidade como força constitutiva de nossa sociedade”, concluiu a Assistente de Direção, Gilmara dos Santos.  

Apoio da SME 

A SME e a Diretoria Regional de Educação (DRE) de Butantã forneceram todo o apoio necessário à unidade com o reconhecimento da qualidade e importância das práticas pedagógicas desenvolvidas. Em novembro deste ano, a Secretária Executiva Pedagógica, Maria Sílvia Bacila, a Diretora Regional da DRE Butantã, Rosana Rodrigues da Silva, e a Diretora da Divisão de Educação Infantil da SME, Mariana Silva Lima, visitaram a unidade. A intenção é de que de o território da unidade continue sendo um lugar de encorajamento e de fortalecimento da educação antirracista.   

Confira mais registros da ação:

Conheça o currículo antirracista

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