Notícias

Escola do Jardim Ângela trabalha projeto que desconstrói estereótipos de gênero e fortalece o respeito entre as crianças 

Iniciativa “Desconstruindo papéis, construindo respeito”, conduzida pela professora Renata Moura, transforma relações cotidianas e amplia repertórios na Educação Infantil 

Publicado em: 26/05/2026 12h57 | Atualizado em: 28/05/2026
Crianças pequenas sentadas no chão de uma sala de aula assistem atentamente a uma projeção em tela. A imagem projetada mostra uma criança negra em destaque. O ambiente possui cadeiras e mesas amarelas, lousa verde ao fundo e cartazes pedagógicos fixados na parede, compondo um espaço escolar acolhedor e educativo.

Com o objetivo de promover reflexões sobre igualdade de gênero, respeito às diferenças e liberdade de escolhas desde a infância, a professora Renata Moura, da EMEI Parque Bologne, localizada na região do Jardim Ângela, desenvolveu o projeto “Desconstruindo papéis, construindo respeito”, com a colaboração da professora Naiany Costa Ferreira e de Surya, que além de jogadora de futebol profissional atua como Auxiliar Técnico de Educação (ATE) na unidade. A iniciativa nasceu da escuta atenta das falas das crianças no início do ano letivo, quando expressões marcadas por estereótipos de gênero começaram a surgir com frequência nas interações da turma. 

Vencedora do Prêmio Educador Nota 10 em 2025 e reconhecida por iniciativas voltadas à formação cidadã desde a infância, Renata conta que a proposta ganhou força após uma situação vivida em sala de aula. “Durante um conflito entre colegas, uma criança pediu minha ajuda dizendo que menina não bate e que quem bate e é forte são os meninos. Aquilo me mostrou o quanto essas ideias já estavam presentes no cotidiano deles”, relata. 

A partir desse episódio, a educadora organizou uma sequência de propostas pedagógicas que, ao longo do semestre, vem transformando as relações entre as crianças e ampliando repertórios dentro da escola. 

O ponto de partida foi a canção “Criança não trabalha”, do grupo Palavra Cantada. A partir das brincadeiras apresentadas no clipe, a turma conversou sobre atividades preferidas, como jogar bola e brincar de boneca. Nesse momento, surgiram falas que limitavam meninos e meninas a determinados espaços e brincadeiras, registradas em cartaz para posterior reflexão coletiva. 

Ao longo do projeto, diferentes linguagens artísticas e literárias foram mobilizadas para desconstruir essas ideias. A música “Brincadeira de Menina”, da MC Sofia, contribuiu para discutir o direito a uma infância livre de imposições de gênero. Já a leitura de “A Banda das Meninas”, de Emília Nuñez, inspirou debates sobre protagonismo feminino e representatividade. Após a história, as crianças criaram um território musical com instrumentos diversos e chegaram a uma conclusão espontânea: “A banda tem que ter todo mundo, meninas e meninos”. 

Outro momento marcante ocorreu com a leitura de “A Revolta das Princesas”, obra que questiona papéis tradicionais atribuídos às mulheres nos contos de fadas. O debate levou a turma a refletir também sobre a divisão de tarefas em casa, responsabilidades compartilhadas e autonomia feminina. Em um painel coletivo, as próprias crianças registraram que a igualdade começa quando todos colaboram igualmente no cotidiano. 

O projeto no Jardim Ângela também ampliou repertórios em áreas historicamente marcadas por desigualdades. As trajetórias das atletas Marta e Formiga foram apresentadas à turma, culminando em um encontro especial com Surya. Durante circuitos e jogos, ela mostrou, na prática, que o esporte é espaço de todos. 

Além disso, as crianças participaram de vivências sobre profissões e habilidades técnicas, conhecendo mulheres motoristas, mecânicas e trabalhadoras da construção civil. Em seguida, experimentaram atividades de construir e consertar, rompendo com a ideia de que força ou capacidade técnica pertencem exclusivamente aos homens. 

Os resultados já são percebidos no dia a dia da escola. Segundo Renata Moura, as meninas passaram a ocupar todos os espaços de brincar com mais segurança, enquanto meninos e meninas convivem com maior naturalidade e respeito. “Hoje escutamos frases como ‘meninas podem brincar do que quiserem’, ‘eu posso brincar de carrinho, minha mãe dirige’ e ‘todo mundo deve ajudar a arrumar a sala’. São falas simples, mas que mostram mudanças profundas”, destaca a professora. 

A transformação também se refletiu nas brincadeiras coletivas. O futebol, antes marcado por exclusões, agora acontece de forma integrada, assim como outras propostas de movimento e convivência. 

Diante dos avanços observados, o projeto seguirá ao longo de todo o ano letivo, integrado ao cotidiano pedagógico da unidade. “Nosso objetivo é continuar apresentando novas referências femininas e promovendo experiências que fortaleçam o respeito, a equidade e a liberdade, para que cada criança possa construir sua identidade sem limitações impostas por estereótipos sociais”, conclui a professora. 

Leias mais em: Do Jardim Ângela para o país: professora da Rede Municipal é vencedora no Prêmio Educador Nota 10

Acompanhe as notícias da Rede Municipal de Ensino.

Notícias Mais Recentes

Relacionadas

Fotografia de várias crianças com uniforme escolar da PMSP. Elas estão na sala de aula e seguram carteirinhas em suas mãos.

Semana de Formação dos Grêmios Estudantis fortalece protagonismo nas escolas 

Publicado em: 08/05/2026 10h00 - em Secretaria Municipal de Educação

Mulher de meia-idade realiza exame oftalmológico em consultório médico. Ela está posicionada diante de um equipamento de avaliação ocular, enquanto um profissional de saúde observa seus olhos pelo aparelho. A imagem destaca o atendimento especializado em saúde da visão.

CEU Azul da Cor do Mar realiza inscrições para Mutirão da Catarata gratuito

Publicado em: 07/05/2026 5h18 - em Diretoria Regional de Educação Itaquera

Imagem com o fundo branco, bosdas azuis e o texto

Inscrições abertas para 1ª Mostra Estudantil de Arte Contemporânea 

Publicado em: 07/05/2026 3h45 - em Diretoria Regional de Educação Butantã

Fotografia de uma kombi com várias gravura e inscrições e um casal a frente vestidos para apresentação cultura com chapéu, vestido e violão.
Quatro pessoas participam de uma atividade de alongamento em ambiente interno iluminado. Elas estão em pé, inclinando o corpo lateralmente com um dos braços elevados acima da cabeça. O grupo é composto por duas mulheres e dois homens, vestidos com roupas casuais. Ao fundo, há janelas grandes com persianas claras e móveis de escritório, sugerindo um ambiente corporativo.
1 30 31 32 33 34 1.686