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Crianças descobrem a origem das frutas numa experiência educativa em Heliópolis 

A vivência pedagógica estimula a curiosidade infantil e conta com o apoio da comunidade local  

Publicado em: 28/05/2026 11h28 | Atualizado em: 28/05/2026
Montagem com quatro fotos de crianças pequenas participando de atividades de cuidado com plantas em um ambiente escolar. Nas imagens, educadoras acompanham as crianças enquanto eles regam hortaliças e observam plantas em vasos e canteiros. As crianças aparecem interagindo com a natureza de forma lúdica e educativa, utilizando regadores coloridos em um espaço ao ar livre.

As crianças do Centro de Educação Infantil Girassol, escola localizada em Heliópolis, ampliam seu repertório e constroem aprendizagens significativas por meio da exploração do território onde vivem. A proposta inclui mapear as árvores frutíferas do entorno e articula investigação, vivência e pertencimento, transformando o cotidiano em uma experiência de descoberta e aprendizado. 

As visitas às áreas verdes e às árvores frutíferas do entorno passaram a ocorrer bimestralmente. No entanto, a equipe pedagógica trabalha na rotina escolar outras ações relacionadas à natureza e à sustentabilidade, já que são assuntos estruturantes do Projeto Político-Pedagógico e que abarcam os interesses e as necessidades das crianças. Além disso, a unidade escolar está em processo de implantação de áreas verdes.

“No cotidiano, as crianças regam as plantas, levam-nas para o sol e participam de seu cultivo. Em nosso espaço, percebemos a necessidade de aproximar ainda mais a natureza do dia a dia das crianças. Para isso, realizamos pesquisas sobre espécies que pudessem ser manuseadas por elas com segurança. Hoje, temos plantas na sala de aula e na área externa, todas cuidadas pelas próprias crianças. Incentivamos esse contato com a natureza desde a fase dos bebês”, relata a diretora da unidade, Valéria Moura. 

As crianças do Mini Grupo II, acompanhadas pelas professoras Eloiza e Scarlett, tem sido acolhidas com generosidade por Dona Lica e pelo Sr. Beto, moradores do bairro há mais de quatro décadas, que abriram as portas de sua casa para receber o grupo. Durante a visita, conheceram de perto um pé de carambola, colheram os frutos e puderam degustá-los diretamente da árvore, vivenciando o alimento em sua origem e ampliando suas percepções sobre o mundo natural. 

“A atividade surgiu a partir das falas das próprias crianças, que inicialmente associavam a origem das frutas apenas à feira ou ao sacolão. A partir dessa curiosidade, o grupo foi convidado a investigar, observar e construir conhecimentos por meio da experiência concreta, da interação com o território e da escuta sensível de seus moradores”, explica Valéria. 

A ação contou ainda com a participação da mãe Luanne, integrante do Conselho Escolar, fortalecendo os vínculos entre instituição e comunidade. Também acompanharam a vivência a coordenadora pedagógica Leia e a gestora Valéria, reafirmando o compromisso coletivo com uma educação integrada ao território e centrada nas experiências das infâncias. 

A proposta dialoga diretamente com os princípios do Currículo da Cidade, do Currículo Ambiental e da perspectiva do Bairro Educador, ao reconhecer o território como espaço legítimo de aprendizagem, promotor de vínculos, cuidado com o meio ambiente e ampliação do repertório cultural das crianças. 

“Sob o olhar pedagógico, a experiência reconhece a criança como sujeito ativo, curioso e capaz de produzir conhecimento a partir de suas próprias perguntas. Ao colher, tocar, sentir e provar a fruta diretamente da árvore, o aprendizado acontece de forma concreta, envolvendo corpo, sentidos e memória. Nesse processo, a aprendizagem deixa de ser mera transmissão de conteúdos e passa a ser descoberta viva e significativa”, afirma Valéria. 

A imersão no território também fortalece o sentimento de pertencimento das crianças, que passam a compreender o lugar onde vivem como espaço de relações, histórias e saberes. Para a equipe gestora, experiências como essa reafirmam uma concepção de educação conectada à realidade, à escuta e à intencionalidade pedagógica, fortalecendo o trabalho docente e ampliando o diálogo com as famílias e a comunidade. 

A diretora afirma que mais do que uma atividade pontual, trata-se de um posicionamento pedagógico que reconhece a infância como tempo de investigar, perguntar, se encantar e construir sentidos. “No CEI Girassol, currículo é cotidiano e o cotidiano é vivido como território fértil de aprendizagens e possibilidades”, conclui.  

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