A obra parte de uma pergunta sensível e poética: e se um filho partisse? E se os pais precisassem mergulhar nas memórias para reencontrá-lo? A narrativa acompanha essa busca afetiva, na qual lembranças, presenças e imagens da natureza — montes, nuvens, galhos e um balão no céu alaranjado — constroem um universo simbólico para manter viva a essência do menino. Assim, o espetáculo transforma ausência em poesia, elaborando o luto por meio de sensações, delicadeza e imaginação.
O diálogo com a Primeira Infância surge a partir das experiências do grupo com o espetáculo Coisas de Menino-Boneco, revelando o olhar singular dos bebês diante da arte. Para eles, não há separação entre vida e obra: tudo é vivido de forma integral, sensorial e presente. Essa percepção orienta a pesquisa artística, que busca criar experiências significativas e únicas, nas quais cada apresentação se torna um encontro vivo entre criança, corpo, som e emoção.
Dessa forma, o tríptico — Coisas de Menino-Boneco, Nuviô ou Quero Cê Balão e Rouxinol — propõe inventar novos mundos, explorando uma poética universal, híbrida e sensível. Misturando linguagens, estéticas e temáticas, as obras valorizam a liberdade criativa, o encantamento e o olhar inaugural das infâncias, convidando o público a experimentar, sentir e imaginar. A arte, então, torna-se um espaço de descoberta, afeto e transformação, onde é possível ser, conhecer e sonhar sem limites.