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Programa Mães Guardiãs fortalece mulheres e transforma realidades na rede municipal

Com acolhimento e oportunidade, beneficiárias redescobrem a força do trabalho, da educação e do acolhimento dentro de uma escola

Publicado em: 07/10/2025 13h11 | Atualizado em: 07/10/2025
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Bárbara (da esquerda para a direita), Grasielle, Danielli (de azul) e Adriana (colete) (Foto: Divulgação/SME)

Elas chegaram em silêncio à EMEI Jardim Premiano, zona leste da capital, com as marcas de uma vida que não foi gentil, mas nunca deixou de ensinar. Levaram histórias pesadas no peito, muitas vezes invisíveis, carregando filhos, lutos, dívidas, dúvidas, medos – mas também um sopro de esperança. Cada uma, à sua maneira, atravessou o impossível até encontrar, dentro de uma escola pública, mais do que um trabalho: o recomeço. 

O que parecia apenas uma vaga de trabalho virou a ponte para um novo caminho. Dentro do Programa POT Mães Guardiãs – Agente de Busca Ativa Escolar (ABAE) e da Alimentação Escolar (GAE), da Secretaria Municipal de Educação (SME) em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET), essas mulheres têm redescoberto a própria identidade, construído autonomia e conquistado sonhos que pareciam distantes demais para serem tocados. 

Danielli Lima da Silva, 37 anos, mãe de quatro filhos, chegou à unidade escolar após um longo período fora do mercado de trabalho, dificuldades financeiras e em meio à depressão, agravada pela perda dos pais. Viu na oportunidade de atuar como ABAE uma resposta à própria fé. Logo que começou no projeto, atuando principalmente no combate à evasão escolar na unidade da rede municipal, matriculou-se no curso de Pedagogia. 

Hoje, como estagiária do programa Aprender Sem Limite, que tem como objetivo promover a melhoria da qualidade da educação, aprendizagem e do desenvolvimento dos estudantes com deficiência, vislumbra a próxima etapa profissional: a licenciatura em Educação Especial. “O que me fortaleceu foi o acolhimento que recebi. A escola acreditou em mim, me deu segurança. Nunca imaginei que chegaria até aqui. O que não passou na mente e nem chegou ao coração está acontecendo na minha vida”, conta. 

Grasielle Silva de Oliveira, 33 anos, é mãe solo de um casal. Também ingressou na EMEI Jardim Premiano como ABAE em 2022. Com incentivo da equipe gestora, retomou os estudos, concluiu o Ensino Médio e começou a cursar Pedagogia. Nesta fase, com um olhar adquirido por meio da formação e dos estudos, conseguiu identificar sinais do autismo em seu filho Miguel, de 9 anos.  

Atualmente, exerce a função de monitora de transporte escolar e aguarda a oportunidade de estagiar pelo programa Aprender Sem Limite. “Tenho uma nova perspectiva de futuro. Com os estudos, pude compreender melhor o meu filho, ter objetivos e almejo tornar-me professora. É um sonho possível e vou realizá-lo”, declara. 

Quem também vivia dias difíceis era Bárbara Crhistine Freire Alves, 36 anos. A situação se agravou na pandemia: a morte da mãe por Covid-19, desemprego, energia de casa cortada e a comida era escassa. Mãe solo de uma menina, buscava todos os dias por uma oportunidade de trabalho. Após algumas tentativas, foi chamada para atuar no POT – Guardiãs da Alimentação Escolar (POT – Mães GAEs). 

Mesmo com as incertezas, agarrou a chance de atuar no apoio das atividades pedagógicas na horta mantida pela unidade, contribuindo com a conscientização dos alunos sobre problemas ambientais, questões de sustentabilidade, além de melhoria de hábitos alimentares saudáveis. “Vim com a cara e a coragem. No primeiro dia, me apaixonei. Acolheram meu medo e me deram apoio”, reforça Bárbara. Incentivada pelas colegas a fazer Pedagogia, sonha com um futuro na Educação Infantil. 

Junto nesta caminhada, Adriana do Nascimento dos Santos, 34 anos, veio da Bahia e há 14 anos vive em São Paulo. Mãe de dois meninos, passava por dificuldades quando soube da vaga de ABAE. Foi selecionada, recebeu a motivação de colegas para fazer graduação na área e vivencia a comunidade escolar de forma transformadora. “Não estava nos planos, mas hoje vejo como tudo se encaixou. A escola virou uma extensão da minha casa, é uma família. Acolhemos, escutamos e transformamos realidades todos os dias”, comenta. No próximo dia 14 de outubro, Adriana completa um ano como ABAE na EMEI Jardim Premiano. 

Cinco mulheres estão sorrindo para a câmera. Elas estão abraçadas, uma ao lado da outra, no patio de uma escola

Participantes dos programas com a diretora da EMEI Jardim Premiano, Elisângela Fernandes (à direita) (Divulgação/SME)

Essas histórias, embora singulares, se entrelaçam em um ponto comum: o poder da oportunidade aliada ao acolhimento. São mulheres que, ao entrarem para o programa, receberam muito mais que uma função: foram vistas, valorizadas e capacitadas. O ambiente escolar tornou-se não apenas um local de trabalho, mas um espaço de pertencimento, afeto e construção coletiva. São cuidadoras, educadoras, mães, referências. E, acima de tudo, são a prova viva de que, com apoio e reconhecimento, é possível, sim, recomeçar. 

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