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Córrego Jacupeval vira sala de aula para estudantes da EMEF Antônio Duarte
Ação desenvolvida com a Unifesp estimula o protagonismo estudantil e um novo olhar sobre o meio ambiente e a comunidade do entorno
Publicado em: 16/06/2026 16h30 | Atualizado em: 24/07/2026
O córrego Jacupeval, no Parque Guarani, zona leste da capital, ganhou um novo significado para os estudantes da EMEF Antônio Duarte de Almeida. Desde maio de 2025, o local se transformou em uma sala de aula aberta, onde refletem sobre os impactos da poluição nos recursos hídricos e na qualidade de vida da população, em uma iniciativa desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Fundação SOS Mata Atlântica.
Integrada ao programa de iniciação à docência da Unifesp, a proposta aproxima os estudantes da prática científica ao transformar o próprio território em objeto de investigação. Todos os meses, durante as atividades do projeto ambiental da escola, é monitorada a qualidade da água do Jacupeval por meio da análise de indicadores como, por exemplo, temperatura, pH, oxigênio dissolvido, odor e coloração.
De acordo com o professor de Geografia Felipe Almeida dos Santos, responsável pela articulação da parceria na unidade, o trabalho transforma a comunidade escolar em protagonista na produção de conhecimento. “Ao longo dos anos, o córrego tem sofrido diversas intervenções e suas águas foram impactadas pelo lançamento de efluentes. Monitorá-lo é uma forma de compreender essa realidade, acompanhar suas transformações e dar visibilidade a um problema que afeta diretamente o território, disponibilizando os dados analisados na plataforma da SOS Mata Atlântica”, afirma.
Para o educador, um dos principais impactos do projeto é a mudança na forma como os estudantes enxergam o Jacupeval. Antes associado apenas ao descarte de resíduos e à degradação ambiental, o córrego passa a ser reconhecido como um espaço com potencial de recuperação. Ao estudá-lo, questionam essa realidade e refletem sobre possibilidades de transformação.
Coordenadas pelo professor Guilherme Prata, as atividades de campo envolvem os estudantes do projeto Mais Educação e utilizam a ciência cidadã como ferramenta de aprendizagem. “Trabalhamos a ideia de que os dados coletados podem contribuir para que a região do Parque Guarani seja mais estudada e observada para além das obras urbanísticas. Desta forma, compreendem que é possível participar das discussões sobre o lugar onde vivem”, destaca.
Racismo Ambiental
Outro eixo importante da iniciativa é a relação entre educação ambiental e a antirracista. As atividades também discutem temas como racismo ambiental, enchentes, ocupação urbana e acesso desigual a políticas públicas. “Começamos a relacionar a educação ambiental com a educação antirracista, trazendo um olhar periférico e valorizando os saberes presentes no território do Parque Guarani. O rio, a paisagem e o bairro tornam-se objetos de investigação e ajudam a responder perguntas importantes sobre a realidade local”, afirma Guilherme.
Para ele, o trabalho ajuda os estudantes a compreenderem como os impactos ambientais atingem de forma mais intensa as regiões periféricas. “Por que o córrego está nesse estado? Quem sofre mais com as enchentes e com os impactos ambientais? Os dados que produzimos ajudam a tornar essas questões concretas para os estudantes e mostram como o racismo ambiental afeta diretamente nossas vidas”, conclui.
Ao transformar o Jacupeval em objeto de pesquisa, a EMEF Antônio Duarte de Almeida mostra como a ciência pode nascer do cotidiano. Entre coletas, análises e reflexões sobre o território, os estudantes aprendem que observar, investigar e questionar são passos fundamentais para compreender a realidade — e também para transformá-la.
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