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Turma de EMEF apadrinha criança da Uganda

Projeto possibilitou o conhecimento da cultura do país, além de reflexões sociais e desconstrução do individualismo

Publicado em: 15/12/2022 16h44 | Atualizado em: 15/12/2022
Arte com 6 linhas horizontais nas cores preta, amarela e vermelha, que representam a bandeira da Uganda. Nas quatro extremidades, há quadros com fotos de estudantes. No centro da imagem, unindo os quadros, há um círculo branco com o desenho da ave grou-coroado.

Na EMEF professor Gilmar Taccola, da DRE Itaquera, a professora Analis Montesanti está desenvolvendo com sua turma do 4º ano B o projeto “África – daqui pra lá, de lá pra cá”, na qual apadrinharam uma criança de 5 anos da Uganda e passaram a estudar sobre a história e cultura da África a partir das cartas enviadas pela menina. 

O projeto se iniciou em março deste ano a partir de uma proposta do livro pedagógico “Nosso Livro de Projeto Integradores” onde a turma era desafiada a criar um projeto de cunho social. Assim os estudantes e a professora começaram a pesquisar o que poderia ser  feito de forma a engajar todas as disciplinas e englobar o Currículo da Cidade de São Paulo. 

O trabalho ganhou mais força quando a professora Analis conheceu, por meio de um comercial de televisão, a organização internacional ActionAid, que trabalha pelo fim da pobreza, e entre outras ações, viabiliza que crianças sejam apadrinhadas. 

Ao ver a empolgação da turma ao saber da organização, a professora promoveu uma reunião de pais para explicar a ideia aos responsáveis, que assinaram um termo de compromisso. A educadora fez o cadastro em seu nome e a ActionAid selecionou uma garota de 5 anos da Uganda para ser apadrinhada, a Nisha, que recebe uma doação de 70 reais por mês.

A doação é feita através do pagamento de um boleto. Todo mês cada criança contribui com R$1,30, colocando o valor numa caixa na sala de aula. No dia do pagamento, dois estudantes fazem a contabilidade e a professora completa para chegar ao valor estipulado, paga o boleto e leva o comprovante de pagamento. Tudo é documentado em um livro ATA. 

A vida de Nisha

Também são enviadas cartas para a menina, que responde contando sobre sua vida, sua casa e seu bairro. Os estudantes escrevem coletivamente em português e utilizam o tradutor para passar para o inglês. A partir dos relatos recebidos, a turma estuda, fazendo comparações sobre a cultura do país, relacionando a África com o Brasil e São Paulo com o município de Nisha. Nos estudos eles fazem leituras, assistem a vídeos, fazem mapas, entre outros, tudo com a finalidade de conhecerem o país nativo da menina.

“Essas atividades contribuem para a visão de mundo dessas crianças, estimulando que elas usem o que aprendem na escola para ver o mundo. Depois da pandemia, as crianças voltaram com um individualismo muito forte e o projeto desconstruiu isso. As crianças se tornaram mais humanas e sensíveis, com um olhar mais aberto”, disse a professora Analis.

O projeto auxilia de diversas formas no aprendizado dos estudantes. Analis contou que é perceptível a melhora deles em áreas como matemática e a animação ao estudarem sobre o tema. “Sempre que falava que o conteúdo da aula seria sobre a África eles ficavam mais empolgados, o projeto deu mais significado aos estudos”, frisou.

Em uma das cartas, Nisha agradeceu e contou que com o valor foi possível ela ir à escola e ter água potável em casa. A turma ficou impactada com o relato e contente por conseguir fazer a diferença. A ação terá continuidade no próximo ano, já que possibilitou a construção de reflexões  através do contato direto com a criança africana.

Confira, abaixo, o vídeo feito pelos estudantes contando sobre o projeto:

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