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Imprensa Jovem mirim do Tamandaré realiza projeto sobre imigrantes

Alunos do terceiro ao quinto ano criam série de entrevistas com imigrantes que residem na Vila Maria.

Publicado em: 09/05/2018 13h54 | Atualizado em: 30/11/2020

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Por Imprensa Jovem Rádio Calafrio

Eles têm entre sete e dez anos e, diferentemente da outra equipe que já tem anos de estrada, eles estão há apenas dois meses no Projeto Imprensa Jovem, mas já sabem a responsabilidade que têm quando o assunto é entrevistar alguém.

Foi com isso em mente que os alunos do Projeto Imprensa Jovem mirim da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Almirante Tamandaré (Diretoria Regional de Educação (DRE) Jaçanã/Tremembé), localizada no bairro da Vila Maria Alta, começaram o Projeto São Paulo de todos os povos. A iniciativa estimula a prática jornalística e audiovisual por meio de entrevistas com imigrantes locais e promove a interculturalidade, a integração e a convivência entre as pessoas.

Sob orientação da professora Ludmilla Mignaco, o Projeto Imprensa Jovem Rádio Calafrio da EMEF Almirante Tamandaré já existe há cinco anos e busca criar uma cultura de paz dentro da escola, promovendo o combate a qualquer forma de discriminação e preconceito. “O ‘Projeto São Paulo de todos os povos’ acompanha a realidade mundial e os impactos nos países que recebem esses imigrantes. Se no início do século XX tivemos a vinda de italianos e alemães para o Brasil, hoje a situação é bem diferente. São imigrantes da América do Sul como bolivianos, venezuelanos, paraguaios, peruanos e de outras regiões como a Síria, Haiti e Angola. É importante criar uma relação harmoniosa e acolhedora e, ao mesmo tempo, mostrar os motivos que levam famílias inteiras a deixar suas casas, famílias e amigos. São Paulo é uma das cidades mais multiculturais do mundo e essa realidade está presente dentro da escola”, explicou a professora.

A primeira entrevista dos jovens repórteres foi com a boliviana Virgínia Mancilla Mamani que mora no Brasil há oito anos, no bairro da Vila Medeiros, em São Paulo. Nascida em La Paz, Virgínia comentou sobre a dificuldade quando chegou ao Brasil, principalmente com a língua e costumes e sobre as diferenças culturais entre os dois países vizinhos. “Vim para o Brasil, para São Paulo, com apenas 22 anos e nem costurar sabia, nem cortar uma peça. Foi muito difícil no começo, fui aprendendo o idioma, na Bolívia falamos três idiomas, o quéchua, o aimará e o castelhano. Sentia muita falta da minha família e da Bolívia. Eu trabalho com costura em casa das 7h até quase 23h, só paro para limpar a casa e cozinhar para minha família. Precisamos trabalhar para cuidar dos nossos filhos. Na Bolívia a situação estava muito difícil. Gosto muito aqui do Brasil, mas penso em voltar um dia para meu país”, contou Virgínia.

Questionada sobre a música e ritmos bolivianos, Virgínia contou que há muitos grupos e danças folclóricas na Bolívia. “Eu gosto muito de um grupo chamado Proyeccion de Cochabamba e dos Los Kjarkas, banda tradicional de música andina. Das danças, gosto da Saya Afroboliviana, Morenada e Moceñada”, revelou a entrevistada.

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