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Violentômetro estimula reflexão sobre violências no ambiente escolar
Projeto da EMEF Padre José Pegoraro envolve estudantes na identificação de situações de violência e na construção de estratégias de prevenção
Publicado em: 16/09/2026 10h00 | Atualizado em: 16/09/2026
Identificar situações de violência que muitas vezes são naturalizadas no cotidiano escolar e discutir formas de enfrentá-las. Essa é a proposta do Violentômetro, projeto desenvolvido desde 2025 pelo professor de inglês Marcelo Sena em parceria com o Grêmio Estudantil da EMEF Padre José Pegoraro.
Por meio de dinâmicas adaptadas às diferentes faixas etárias, os estudantes analisam situações vivenciadas na escola, avaliam sua gravidade e discutem como agir diante delas. A iniciativa também busca ampliar os espaços de escuta e fortalecer a participação dos jovens na construção de uma convivência baseada no respeito e no diálogo.
Antes de iniciar as atividades, os integrantes do Grêmio passam por uma formação em escuta ativa e mediação. A preparação permite que os próprios estudantes conduzam parte das conversas com os colegas e ajudem a identificar questões que precisam de atenção da escola.
Para o professor Marcelo Costa Sena, o projeto surgiu justamente das demandas apresentadas pelos jovens. “Quando os estudantes trazem a violência como um dos maiores desafios de sua rotina escolar e mostram o quanto ela impacta a aprendizagem, nossa escuta e nosso apoio precisam se redobrar. O Violentômetro parte de uma abordagem lúdica para que eles possam falar sobre essas situações e pensar coletivamente em formas de enfrentá-las”, afirma.
Dinâmicas são adaptadas às diferentes faixas etárias
No Ensino Fundamental I, o Violentômetro parte de cinco perguntas sobre situações que podem fazer parte do cotidiano escolar, como xingamentos e apelidos. Os estudantes respondem levantando as mãos, enquanto um relator registra as informações em uma ficha de avaliação.
Depois de cada pergunta, três meninos e três meninas são convidados a avaliar a gravidade da situação. As respostas são organizadas em três níveis. Vermelho, para os casos considerados muito graves. Amarelo, para aqueles que exigem atenção. E verde, para situações que os participantes avaliam como tranquilas ou sem problema.
No Ensino Fundamental II, a atividade é realizada em roda de conversa, com dois ou três representantes de cada turma do período. Um dos participantes sorteia um cartão com a descrição de uma situação de violência registrada na escola e lê o relato para o grupo.
A conversa é conduzida a partir de três questões: “Essa situação é real? Já aconteceu na escola com alguém ou com você?”; “Como você se sentiria se fosse com você?”; e “O que você faria para combater essa violência?”. Um relator registra as respostas para análise posterior.
A dinâmica ajuda a problematizar comportamentos que podem ser tratados como habituais ou como “brincadeiras”, mas que provocam sofrimento. Ao discutir os episódios coletivamente, os estudantes são estimulados a reconhecer seus impactos e a pensar em alternativas para enfrentá-los.
Da identificação à busca por soluções
As informações levantadas durante as atividades também servem de subsídio para que a escola planeje ações de prevenção, acolhimento e intervenção de acordo com as necessidades identificadas pelos próprios estudantes.
Quando os casos demandam acompanhamento especializado, a unidade conta com o apoio do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA) Capela do Socorro e do Núcleo de Prevenção à Violência (NPV) da UBS Jardim Eliana, que atua no acolhimento na área da saúde.
Ao colocar os estudantes no centro das discussões, o Violentômetro transforma relatos do cotidiano em ponto de partida para identificar violências, discutir seus impactos e construir estratégias de prevenção no ambiente escolar.
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