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Projeto ajuda a transformar vida de alunos da EJA

Iniciativa realizada no CIEJA Campo Limpo Sampaio está entre as cinco finalistas do Prêmio Professor Destaque - 2018

Publicado em: 15/10/2018 16h15 | Atualizado em: 30/11/2020

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Na região sul da cidade de São Paulo está localizado o Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Campo Limpo, unidade educacional na qual leciona a professora de Educação Infantil e Ensino Fundamental I Samara Annanias Teixeira da Costa, que realizou o projeto “Arte e Trabalho” durante o ano de 2017.

O trabalho alçou sua mentora ao prêmio Professor em Destaque, conferido pela Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo e que tem o propósito de dar visibilidade aos trabalhos inovadores e criativos dos professores da Rede Municipal de Ensino.

Na Rede desde 2010, Samara, formada em Pedagogia, conta que iniciou estudos na área da Educação Especial por meio de uma parceria entre a Prefeitura de São Paulo com a UNESP. “O objetivo era me preparar para receber um aluno com deficiência e, chegando aqui no CIEJA, me deparei com aproximadamente trezentos alunos com as mais diversas deficiências”, explicou.

Início do sonho – A professora ressaltou que os estudantes com deficiência são atendidos na Sala de Recursos Multifuncionais por profissionais que propõem uma metodologia investigativa, na qual é apresentada uma situação problema aos alunos para, a partir disso, procurarem respostas para estas inquietações. Em 2017, o tema das atividades foi “trabalho”. “Eles foram contando suas expectativas quanto ao mercado de trabalho e nós pensamos o que poderíamos fazer para que eles pudessem viver a experiência de trabalhar”, contou a professora.

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Uma das sugestões recebidas foi o artesanato, mais especificamente as bonecas para peso de porta, cuja execução não demanda muitos recursos. “Nós recebemos a visita de uma artesã que nos ensinou a confeccionar as bonecas e pudemos interseccionar os conteúdos das variadas disciplinas durante o trabalho”, disse Samara, destacando o trabalho de consciência corporal realizado juntamente com o professor de Educação Física, as listas para a compra do material necessário e o trabalho com o sistema monetário e cédulas em simulações de compra e troco, em matemática.

“Como os estudantes adoravam dar nomes para as bonecas , aproveitamos a oportunidade para trabalhar os significados dos nomes indígenas e africanos, os diversos grupos étnicos e os sentidos das pinturas corporais e cores utilizadas”, disse Samara.

Ao fim do projeto, Samara observou avanços na qualidade da aprendizagem, concentração e coordenação motora, além de avanços na percepção da autoimagem. “No começo eles se depreciavam por ver familiares estudando e entrando no mundo do trabalho e gostariam de contribuir de forma mais ativa nas despesas da casa”, afirmou a professora. “Quando eles percebiam que as pessoas gostavam, valorizavam o trabalho deles, querendo adquirir os produtos, aconteceu um impacto positivo em toda a turma”, disse.

Os desdobramentos da iniciativa foram além dos muros da escola. Mães que vieram conhecer o projeto e estavam desempregadas, aprenderam a técnica e passaram a, juntamente com os filhos, confeccionar e comercializar as bonecas. “Não foi apenas um trabalho escolar. Além das habilidades, competências e conteúdos trabalhados, o projeto se transformou em uma possibilidade real de aquisição ou complemento de renda dos alunos e suas famílias”, celebrou Samara.

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