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Professoras de CEI na zona leste visitam crianças que permaneceram em casa durante a pandemia

Iniciativa já permitiu o contato com mais de 300 famílias e ampliou as possibilidades de desenvolvimento dos bebês e crianças matriculados 

Publicado em: 30/07/2021 16h47 | Atualizado em: 30/07/2021

educadores visitando estudantes em suas casas Como alcançar e acompanhar as aprendizagens dos bebês e crianças matriculados na Rede Municipal Paulistana durante o período de distanciamento social decorrente da pandemia de Covid-19? Esta foi uma das inquietações que levou as educadoras do Centro de Educação Infantil (CEI) Jardim Lapena, no extremo leste da cidade de São Paulo, a fazer visitas às casas de mais de 300 famílias que estão com crianças no ensino remoto. 

Atualmente, o CEI, localizado no Jardim Lapena, próximo ao bairro São Miguel Paulista, possui 504 bebês e crianças de 0 a 5 anos matriculados. Desde o início do ano, tem atendido presencialmente 176 crianças. O número se referia aos 35% que estavam especificados nos protocolos da Secretaria Municipal de Educação e autoridades da saúde. 

A partir desta segunda-feira (2), haverá ampliação do atendimento presencial. As crianças de 4 e 5 anos serão atendidas na totalidade, com revezamento em duas turmas. 

Experiência de busca ativa

A coordenadora pedagógica da unidade, Gislaine Gonçalves Braga, conta que, pela escola estar localizada em um bairro periférico em que boa parte da população está vulnerável socialmente, a preocupação era que longe da escola as crianças estivessem desassistidas em relação aos estímulos e condições necessários para a conquista das aprendizagens para a faixa etária. Nesse período, cerca de 300 bebês e crianças permaneceram em suas casas, muitos deles nunca tiveram contato presencial com a escola e com suas professoras.  

“Como alcançar as crianças se não formos até elas?”, questiona Gislaine ao enfatizar que algumas famílias não possuem telefone em casa, aparelho celular, internet ou o endereço atualizado junto à escola. Há dois anos ela é uma das Coordenadoras Pedagógicas do CEI e fala que a comunicação sempre foi um dificultador na relação com a comunidade escolar e que a situação da pandemia ampliou o problema. 

Foi aí que em uma das reuniões de professoras a coordenadora propôs organizar um cronograma de visitas às famílias que estão distantes da escola – uma ação de busca ativa. Assim, desde o mês de maio, diariamente, duas professoras saem pelas ruas do bairro e batem na porta da casa das crianças que estão afastadas do CEI. Levam impresso o material com sugestões de atividades do Trilhas de Aprendizagem, fazem fotos e orientam as famílias sobre acesso às atividades on-line disponibilizadas no Google Sala de Aula, Facebook e Whatsapp. 

Resultados

Desde que as visitas iniciaram, as educadoras perceberam que as famílias estão acessando e interagindo com maior frequência a plataforma educacional e que isso se reflete no desenvolvimento das crianças. Além disso, as visitas estão possibilitando a coleta de dados das famílias para atualização cadastral no Sistema Escola Online. Com os dados atualizados, os responsáveis podem ter acesso mais facilmente aos serviços e benefícios da Prefeitura de São Paulo.

Mais aproximação 

“As professoras contam que quando chegam e dizem serem da escola, as famílias se surpreendem e falam que não sabiam que eram tão importantes para receberem esse tipo de visita”, conta a Marli Palmeira, também Coordenadora Pedagógica do CEI. Além de possibilitar a interação, a ação já oportunizou também a entrega de cestas básicas aos que estavam muito vulneráveis. Os alimentos que integram as cestas foram conseguidos a partir do projeto “Crescer Bem”, uma iniciativa organizada pela unidade que estimula a solidariedade e doação de alimentos e roupas.

Apesar da tentativa ser de acolhê-los, as educadoras contam que os moradores do bairro e as famílias é que se mostram muito generosas nas visitas. Por vezes o endereço que está registrado no cadastro do aluno está desatualizado ou incorreto e que são os vizinhos que mostram a localização atual das casas das crianças. Para a professora Bruna Tawana, que há seis anos leciona no CEI, tem sido uma experiência transformadora. “Infelizmente tivemos que passar por esta pandemia para compreender de perto a realidade precária na qual muitas das nossas crianças se encontram. Sou moradora do bairro e percebi que há lugares na região que nunca imaginei existir. Passei a perceber ainda mais a importância da educação na vida das crianças”, ressalta a professora.

 

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