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Handebol adaptado promove inclusão no CEU Cidade Dutra 

Projeto cria espaço de pertencimento e transformação para pessoas com deficiência física

Publicado em: 30/04/2026 11h30 | Atualizado em: 08/05/2026
Fotografia de pessoas que usam cadeira de rodas praticantes de handbol adaptado. Elas estão se deslocando em um grande círculo com a bola no colo.

No CEU Cidade Dutra, zona sul da capital, o handebol ganha um significado especial. Por meio do projeto voluntário ICEL, pessoas que usam cadeira de rodas encontram no handebol adaptado um espaço de força, convivência e transformação.  

A iniciativa teve início em julho de 2009, quando Paulo Scarpelli Cássia, fundador e coordenador da iniciativa, e um grupo de amigos realizavam fisioterapia em uma clínica universitária. Com a chegada das férias e a interrupção das atividades, o grupo percebeu a importância de manter a prática de exercícios e decidiu buscar um espaço público onde pudesse continuar se reunindo e se movimentando. 

Atualmente, 16 mulheres e 24 homens, com idades entre 28 e 71 anos, participam das atividades. Todos têm algo em comum: utilizam cadeira de rodas e encontraram no ICEL um espaço de pertencimento. No projeto, não há limite de idade nem lista de espera, uma vez que a proposta é garantir que os interessados possam participar e jogar. 

Mais do que um projeto esportivo adaptado, o ICEL carrega em seu nome a essência do que oferece: Interação, Cultura, Esporte e Lazer. “A gente não queria só praticar atividade física. Queríamos conviver, sair, ocupar a cidade, viver de verdade”, reforça o fundador. A escolha pelo handebol em cadeira de rodas veio de forma natural. “Procuramos uma modalidade que se encaixasse na nossa realidade. A modalidade foi a que mais fez sentido”, completa. 

Os encontros acontecem aos domingos, das 8h às 12h, na quadra do terceiro andar do CEU Cidade Dutra. E não é só jogo: há aquecimento, fortalecimento, alongamento, tudo acompanhado por uma rede de apoio que cresce a cada ano. Educadores físicos voluntários, estudantes de fisioterapia, nutricionista e até serviços como corte de cabelo gratuito fazem parte da rotina. 

Ao longo dos anos, a iniciativa participou de eventos em unidades do Sesc, CEUs, etapas do Campeonato Paulista de handebol em cadeira de rodas e, mais recentemente, da Expo Favela 2025, e projeta ampliar suas atividades com a formação de uma equipe fixa de educadores físicos e a aquisição de cadeiras esportivas. Entre os principais desafios estão a captação de patrocínio e o fortalecimento da equipe de profissionais voluntários. 

Benefícios e resultados para os praticantes 

Os benefícios do projeto são percebidos em diferentes dimensões da vida dos participantes: melhora nas interações sociais, no humor, fortalecimento do sentimento de pertencimento e empoderamento, além da redução de quadros de ansiedade, depressão e do sedentarismo. Também se destaca a criação de uma rede de apoio entre as famílias. 

“Para o cadeirante, a atividade física se torna uma ferramenta essencial de autonomia. O estímulo ao exercício contribui para o fortalecimento dos membros superiores e o controle de tronco, fundamentais para a locomoção independente. As práticas esportivas e de lazer ampliam a percepção de espaço e o domínio da cadeira em diferentes ambientes, além de favorecer a circulação e prevenir complicações físicas”, explica Scarpelli.  

Há também relatos frequentes de transformação na vida dos participantes e de suas famílias, que passam a se enxergar de forma mais ativa na sociedade. O projeto promove a inclusão ao criar espaços de convivência mais justos, rompendo o isolamento social e contribuindo para a construção de vínculos e para a ocupação plena dos espaços públicos.  

Inscrições 

As inscrições são abertas ao público e gratuitas. Para participar, o interessado deve entrar em contato via WhatsApp (11) 99374‑0071 – responsável Paulo. Em seguida, é enviado um formulário virtual para preenchimento de dados como nome completo, endereço, documentos, laudo médico, atestado de aptidão para atividade física, informações de acompanhante (quando necessário) e contato de emergência. 

Também é necessário apresentar a documentação para a confecção da carteirinha de acesso ao CEU Cidade Dutra, incluindo uma foto 3×4, cópia do RG e comprovante de endereço, além do atestado médico anual obrigatório.  

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