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Estudantes do 5º ano trabalham com arqueologia simulada

Escavação, levantamento de hipóteses e método científico de pesquisa foram algumas das etapas do projeto.

Publicado em: 14/07/2017 16h45 | Atualizado em: 30/11/2020

Em uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) da zona oeste de São Paulo, estudantes do 5º ano estudam a história indígena pré-colombiana de uma forma muito enriquecedora. A partir da exploração de um sítio arqueológico simulado em um terreno próximo à Unidade Educacional, as crianças aprendem sobre escavação, fazem levantamento de hipóteses e utilizam o método científico de forma prática.

As atividades foram desenvolvidas por três professores da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Desembargador Arthur Withaker, localizada no bairro Vila Sônia e pertencente à Diretoria Regional de Educação (DRE) Butantã, com duas turmas de 5º ano, aproximadamente 60 estudantes. Os professores André Lima, de História, Cláudia Pacheco e Masé de Faria trabalharam de forma interdisciplinar e planejaram os ambientes e atividades.


Estudantes trabalham no sítio arqueológico simulado em terreno vizinho à Unidade Escolar

Para o professor André, Mestre em Humanidades, há 5 anos como docente na EMEF e há 6 anos na Rede Municipal de Ensino, foi uma experiência inovadora. “A atividade proporcionou não apenas o conhecimento sobre história e a aproximação com a profissão do arqueólogo e sua importância, mas, também, com o método e a linguagem científica, por meio da coleta e análise das fontes materiais, além do conhecimento, na prática, da importância do patrimônio material e dos acervos arqueológicos para o estudo da História”, conta o professor. Acompanhe aqui o seu relato sobre cada etapa do Projeto Arqueologia Simulada:

1. Sensibilização das turmas para a importância do estudo da história indígena pré-colonial: a partir de notícias sobre a importância da floresta amazônica para o Brasil e para o mundo, buscou-se destacar a importância do estudo da história dos povos indígenas para a compreensão não apenas da formação histórica do Brasil, mas de formas de vida mais sustentáveis do ponto de vista ambiental.

2. Sensibilização para os objetivos do trabalho arqueológico: através das notícias abaixo, procurou-se evidenciar a importância das fontes materiais de origem arqueológica para se reconstituir a história dos povos indígenas e sua relação com a floresta amazônica.

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3. Sensibilização para o método do trabalho arqueológico: os professores elaboraram uma atividade para que, em sala, os estudantes pudessem ter uma compreensão do método do trabalho arqueológico. Em primeiro lugar, assistiram ao vídeo do episódio sobre arqueologia indígena do programa Nova Amazônia, disponível neste link. Depois, realizaram uma atividade em sala de aula para compreender o método do trabalho arqueológico. A atividade consistia em uma espécie de “raspadinha” na qual os estudantes traçaram, junto com os professores, os quadrantes da pesquisa arqueológica. Em seguida, foram raspando um a um dos quadrantes, “descobrindo” o objeto que estava escondido. A cada quadrante raspado, os alunos deveriam desenhar em outra folha o que encontravam e registrar também a hipótese à respeito de que objeto se tratava. Ao final, os estudantes tinham que completar as partes do objeto que faltavam e redigir a hipótese final. O objeto que se encontrava encoberto era uma urna funerária marajoara, como a apresentada no vídeo sobre arqueologia amazônica.


Atividade de descoberta de urna funerária marajoara


Reprodução em desenho da urna funerária marajoara e registros das hipóteses à respeito do objeto.


4. Preparação do sítio arqueológico:
os professores prepararam o sítio arqueológico, cavando uma área de 6m² (equivalente a 6 quadrantes de 1m² cada) em um terreno ao lado da escola. Nesta área foram enterrados objetos de cerâmica crua, comprados em uma loja de artigos religiosos. Os objetos eram propositalmente parecidos com utensílios de cozinha (pratos, potes, panelas, canecas, etc.). Além dos objetos os professores enterraram restos de uma fogueira e um osso de boi conseguido em um açougue. A intenção era a de simular uma área utilizada para alimentação por povos antigos. Os objetos foram enterrados propositalmente em áreas adjacentes de um ou mais quadrante do sítio arqueológico – isso para provocar uma maior interação e colaboração entre os grupos.


Preparação do terreno para composição do sítio arqueológico

5. Divisão dos grupos de trabalho: para que a divisão dos grupos acontecesse de maneira harmônica e equilibrada, foram escolhidos seis estudantes que se voluntariassem e se identificassem como sendo bons desenhistas. Estes estudantes ficaram responsáveis não apenas por fazer os registros em forma de desenho durante a escavação, mas por escolher, um por vez, os integrantes responsáveis por escavar propriamente, aqueles que ficariam responsáveis pela triagem do material escavado, os que ficariam responsáveis pela limpeza, identificação e organização dos objetos encontrados. Assim formaram-se seis grupos de, pelo menos, cinco alunos.


Estudantes fazem registros das hipóteses 

6. A Escavação: No dia da escavação, cada grupo recebeu as ferramentas. Elas eram um balde, uma colher de jardinagem, um pincel, uma peneira de pedreiro e uma prancheta para o registro dos objetos encontrados em forma de desenho. Os grupos distribuíram os materiais para cada integrante de acordo com sua função preestabelecida. Antes do início da atividade, os estudantes foram alertados de que não se tratava de uma competição entre os grupos e sim de uma atividade que necessitava colaboração, não apenas entre os integrantes do grupo, mas entre cada um dos grupos, pois “desvendar” o sentido dos objetos encontrados exigia uma compreensão da escavação do sítio como um todo e não apenas de cada um dos seus quadrantes. Com este espírito, os estudantes iniciaram a escavação.


Estudantes fazem exploram o sítio arqueológico

7. Resultados:
O projeto foi desenvolvido com duas turmas que foram tratadas como equipes de pesquisadores. A primeira turma estabeleceu, a partir da análise de todo o material encontrado, a hipótese inicial de que a área era uma “cozinha antiga”. A segunda turma, sem contato com a primeira, confirmou a hipótese. Assim, as turmas dos 5ºs anos puderam interagir em um debate sobre os objetos encontrados.


Equipes fazem análise dos objetos encontrados e buscam confirmações das hipóteses.

O elemento que mais chamou atenção foi a maneira intensa com que os estudantes interagiram durante a atividade, estreitando os laços de amizade e cooperação. Eu chamaria a atenção para a curiosidade que despertaram para certos aspectos da natureza como a formação do solo e a vida de insetos que encontraram durante a escavação. Além dos objetos enterrados propositalmente pelos professores, os estudantes encontraram outros objetos como vidros e plásticos, que foram prontamente identificados como arqueológicos, uma vez que foram produzidos pela humanidade. A adição não prevista destes objetos enriqueceu ainda mais o debate final, pois pudemos discutir, inclusive, os diferentes níveis de impacto ambiental causados pelos diversos grupos humanos e sua forma de interagir com a natureza.

Acesse galeria de imagens clicando aqui.

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