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Espaço Kairós promove saídas pedagógicas que refletem sobre ancestralidade e identidade
O projeto é realizado há cinco anos e reuniu 140 educadores em imersão
Publicado em: 12/05/2026 10h42 | Atualizado em: 12/05/2026
Ouro Preto, 2026 (Divulgação: Espaço Kairós)
O Espaço Kairós realiza uma iniciativa contínua de formação que, ao longo dos últimos cinco anos, vem promovendo reflexões sobre ancestralidade, identidade e práticas pedagógicas antirracistas. A mais recente ação foi uma saída pedagógica para Ouro Preto, que reuniu 140 participantes entre gestores, professores, educadores de limpeza e profissionais da cozinha das 28 unidades conveniadas à Secretaria Municipal de Educação.
O principal objetivo da atividade é aprofundar o entendimento sobre a ancestralidade e contribuir para a construção de um currículo comprometido com a equidade racial.
“Trabalhar a desconstrução do racismo na sociedade é um dever das instituições de ensino e um direito garantido por lei, sendo parte fundamental da formação cidadã. Nesse contexto, compreender o processo escravagista no Brasil, especialmente em territórios históricos como Ouro Preto, é essencial para reconhecer as raízes das desigualdades e valorizar as contribuições dos povos africanos”, comenta Eduardo Arantes, mantenedor do Espaço Kairós.
A escolha da cidade de Ouro Preto como cenário da formação está diretamente relacionada à sua relevância histórica. Como um dos principais centros da colonização portuguesa e da exploração do ouro no país, a cidade preserva marcas profundas do trabalho, da resistência e da sabedoria dos povos africanos escravizados. A visita também encerra um percurso formativo que já passou por cidades como Rio de Janeiro, Paraty e Salvador.
Durante a imersão, os educadores participaram de visitas guiadas passando por importantes pontos históricos, como a Praça Tiradentes, o Museu da Inconfidência, o Largo do Coimbra e o Passo de Antônio Dias. Também fizeram parte do roteiro a Igreja de São Francisco de Assis, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, além da Casa dos Contos e da Mina do Veloso.
“A experiência foi conduzida de forma pedagógica, com rodas de conversa que relacionaram os acontecimentos históricos às vivências contemporâneas, especialmente no que diz respeito ao impacto do racismo no cotidiano escolar. Questões como apelidos, termos discriminatórios e práticas excludentes foram debatidas com o objetivo de promover conscientização e transformação”, relata Eduardo.
Os aprendizados da viagem devem se refletir diretamente no cotidiano das unidades. A proposta é revisar práticas pedagógicas sob uma perspectiva antirracista, abrangendo desde músicas, contação de histórias e brincadeiras até o planejamento alimentar e a organização de eventos escolares. A intenção é fortalecer o pertencimento, valorizar as origens e promover a equidade, especialmente para educadores e crianças pretas.
Como desdobramento, as formações internas, o cardápio e as atividades escolares passam a incorporar um olhar mais atento às questões étnico-raciais, tornando o processo educativo mais significativo e alinhado à diversidade cultural brasileira.
A iniciativa já é uma prática consolidada no Espaço Kairós e segue como projeto contínuo, reafirmando o compromisso da instituição com uma educação transformadora, que reconhece a história, valoriza a ancestralidade e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
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