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Projeto Pérola Negra leva maquiagem, produção e fotos profissionais à comunidade escolar negra

Proposta da professora Isis Lourenço é trabalhar identidade e educação antirracista em diversas escolas municipais

Publicado em: 22/09/2023 9h00 | Atualizado em: 22/09/2023

Montagem com três fotos. A da esquerda mostra uma mulher negra com a mãe no cabelo, que está preso. No meio vemos um homem negro com braços cruzados. Na esquerda há uma mulher negra de cabelo solto e mão no queixo.
Estudantes adultos e funcionários negros do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Ermelino Matarazzo, na DRE Penha, ganharão um ensaio fotográfico nesta sexta-feira (22), das 9h às 12h. A proposta faz parte do projeto Pérola Negra, criado pela professora Isis Lourenço para trabalhar identidade e educação antirracista, enquanto valoriza a autoimagem e autoestima.

O projeto é uma proposta de pedagogia antirracista que parte do princípio do identitarismo. Começou em 2018, quando Isis dava aulas na EMEF 19 de Novembro. A professora percebeu a necessidade de resgatar a identidade e revelar as belezas da comunidade oprimida pelo racismo. Com isso, esta unidade escolar realizou um desfile e atividades com os estudantes negros, o que inspirou Isis a presenteá-los com um ensaio fotográfico. Ao longo dos anos, o projeto vem acompanhando a professora pelas escolas em que ela passa.

“É muito mais que um ensaio fotográfico. Nele, criamos um ambiente seguro onde cada aluno é acolhido, ouvido e preparado individualmente. Em grupo, conversamos sobre cultura, estética negra e contribuições desses povos pelo mundo”, disse Isis Lourenço, idealizadora do projeto.

Além das fotos, a professora também faz maquiagem, styling, que é a personalização e combinação de roupas e acessórios, e uma roda de conversa a fim de romper os padrões de beleza, valorizar e empoderar a beleza negra. O ensaio fotográfico pode ocorrer tanto dentro quanto ao redor da unidade.

“Eu, sozinha ou com a ajuda de parceiros, dou um ensaio fotográfico para os alunos e para os demais da comunidade escolar que se consideram negros, pois parto do ponto da identificação do indivíduo. Primeiro ele precisa se entender enquanto pessoa negra, para daí encontrar seu grupo, se associando ou não às suas pautas”, contou Isis.

Produção completa

A próxima ação do Pérola Negra acontece nesta sexta-feira (22) com a comunidade escolar do CIEJA Ermelino Matarazzo. As fotos serão realizadas dentro da própria unidade, em uma cenografia montada pela professora. Além disso, a advogada Cristiane Natachi irá até a unidade para um bate-papo com os participantes sobre a temática.

Em outros anos, o projeto obteve apoio de trancistas, maquiadores, fotógrafos, loja de roupas africanas e pessoas fazendo styling. Não será a primeira ação do projeto neste CIEJA. No início do ano, a unidade já sediou o ensaio fotográfico, com a presença de palestrantes voluntários que conversaram com os participantes durante as sessões. 

Os figurinos e maquiagens dos ensaios são do acervo pessoal da professora, bem como os equipamentos de iluminação e fotografia. 

“Víamos os alunos sendo zombados, excluídos, usando blusa e touca o ano todo, escondendo cabelo, sendo alvo de piada. Depois do projeto, percebemos os alunos se olhando com mais admiração e carinho, se identificando e assimilando as características étnicas, num processo identitário”, disse.

Outras unidades municipais entraram em contato com a professora Isis pedindo novas edições do projeto. Ainda este mês, ela irá na EMEF Prof. Henrique Pegado. Em outubro terá outra ação no CIEJA Ermelino Matarazzo e também na EMEF Prof. Aurélio Arrobas Martins. Em novembro, os ensaios estão programados para acontecer na EMEF 19 de Novembro e na EMEBS Profª. Neusa Bassetto. 

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