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Congresso para educadores discute questões étnico-raciais

Relatos de práticas, palestras de especialistas e apresentações culturais fizeram parte da programação.

Publicado em: 07/11/2018 17h10 | Atualizado em: 30/11/2020

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Entre os dias 30 e 31 de outubro, educadores da Rede Municipal de Ensino de São Paulo participaram do III Congresso Municipal de Educação para as Relações Étnico-raciais. Evento contou com a participação de mais de 450 pessoas e ocorreu no auditório da Universidade Nove de Julho, Campus Memorial.

A ação formativa objetivou explicitar as práticas peda­gógicas desenvolvidas em sala de aula tendo por referência os marcos legais que instituíram a obrigatoriedade do ensino da His­tória e Cultura Africana e Afro-Brasileira e dos Povos Indígenas no currículo brasileiro. Estruturado em três eixos inter-relacionados: relatos de práticas, apresentação de palestras por especia­listas nas áreas temáticas e apresentações culturais, o evento proporcionou a mostra de práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas municipais de São Paulo que contribuem para a desconstrução das imagens e percepções estereotipadas sobre estes povos.

PRIMEIRO DIA

A manhã do primeiro dia de congresso teve como foco práticas que envolvem valorização e inclusão dos estudantes imigrantes nas escolas municipais de São Paulo. Atualmente são mais de quatro mil estrangeiros matriculados na RME. No entanto, há também aqueles que são nascidos no Brasil e possuem pais estrangeiros. Foram apresentados projetos desenvolvidos em quatro unidades escolares. São elas:

– EMEF Desembargador Arthur Whitaker (DRE Butantã) – “Chegadas e Partidas: estudos interdisciplinares sobre Migração e Diversidade Cultural Brasileira com alunos (as) do curso de EJA da EMEF Des. Arthur Whitaker”, com os professores Helena do Santos Silva, Sônia Naufal (Professora Orientadora de Sala de Leitura) e José Gomes (Professor Orientador de Informática Educativa).

– CIEJA Perus I (DRE Pirituba | Jaraguá) – Projeto “Interculturalidade em ação”, com a Professora Dr.ª Franciele Busico Lima.

– CIEJA Prof. Francisco Hernani Alverne Facundo Leite (DRE Santo Amaro) – Projeto “Vozes Poéticas: a identidade periférica no CIEJA”, com as Professoras Dianna Melo e Silva, Jacqueline Aparecida da Silva Aguiar Reis e Renata Carolina Gibelli Messias.

– EMEF João Domingues Sampaio (DRE Jaçanã | Tremembé) – Projeto “Formação de professores para as Relações Étnico-Raciais no contexto de uma escola com estudantes bolivianos”, com a Professora Elisangela N. Janoni dos Santos

Na sequencia dos relatos de práticas o Professor Valter Gomes realizou uma palestra com o tema “Refúgios e refugiados, a epistemologia da existência humana em um mundo em conflitos”. Ele ressaltou a importância da integração e da inclusão dos estrangeiros e refugiados que estão em nossa sociedade. Para ele “o indivíduo dentro de um espaço procura ser um cidadão” e “a existência tem uma relação direta com a sobrevivência”.

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Professor Valter Gomes e Adama Konate falam sobre o tema refugiados

Gomes disse que “é a pluralidade de culturas nos espaços de aprendizagem que garantem aos indivíduos construir vivências e escolhas. Na medida em que trabalham com a diversidade e com a pluralidade, as escolas estarão promovendo novas oportunidades de aprendizagens e novos paradigmas”.

Valter Gomes também apresentou Adama Konate, um rapaz nascido na República de Mali, na África Ocidental e que está há seis anos no Brasil. Ele contou a sua experiência de criar espaços de convivência e ajuda a africanos refugiados que desembarcam em São Paulo.

A parte da tarde contou com apresentações de práticas que envolvem a temática dos povos indígenas. Três unidades escolares apresentaram os seus trabalhos:

– EMEF Emílio Ribas (DRE São Mateus) – Projeto “A história e os saberes dos povos indígenas no Brasil”, com a Professora Eva Aparecida.

– EMEF Neir Lopes de Oliveira (DRE Freguesia | Brasilândia) – Projeto “Literatura: Diálogos e Experiências com nossos Indígenas”, com a Professora Márcia Lima Bispo – POSL

– CEU EMEF Hermes Ferreira de Souza (DRE Campo Limpo) – Projeto “Conhecendo nossas raízes”, com a Professora Suzana Gonçalves dos Santos.

Os escritores indígenas Daniel Munduruku (povo Munduruku – Pará), Cristino Wapichana (povo Wapichana – Roraima) e cordelista Auritha Tabajara (povo Tabajara – Ceará) falaram sobre a literatura indígena e necessidade de preservar a cultura literária também como formação da identidade brasileira.

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Escritores indígenas Daniel Munduruku, cordelista Auritha Tabajara e Cristino Wapichana. 

Munduruku falou da cisão e a desqualificação das culturas tradicionais e originárias indígenas que iniciou com a colonização do Brasil no século XVI. Para ele isto culminou na desvalorização da cultura indígena atual, que é estereotipada e não diz o que cada povo é. “A palavra índio nos remete às imagens, uma visão romântica que foi imposta e um olhar desumanizado. “Não existem índios no Brasil. A palavra índio não diz quem eu sou, ela generaliza. Eu sou do povo Munduruku, e ser do povo munduruku não é a mesma coisa do que ser índio. A palavra índio tira de mim a minha identidade, por que me torna um genérico. Mas ser Munduruku mostra de onde eu venho, qual é a minha cultura, a minha tradição e no que eu acredito”, completa o escritor.

O primeiro dia do evento contou também com três atividades culturais. André Luiz dos Santos, Professor da Rede Municipal de Ensino, apresentou uma dinâmica musical da cultura africana que agitou todos os educadores presentes. E representantes das comunidades indígenas dos Pankararés e Avani Fulni-ô, dos povos Fulni-ô, apresentaram músicas em dinâmicas que tiveram a participação dos educadores.

SEGUNDO DIA

No segundo dia de Congresso, a abertura no período da manhã contou com apresentação cultural em forma de sarau musical da Capoeira, com o Professor Alexandre Soares Padilha.

Em seguida, quatro unidades educacionais da Rede Municipal de Ensino apresentaram relatos de práticas pedagógicas com a temática, “Povos Africanos e Afro-Brasileiros”.

-EMEF Claudia Bartolomazzi (DRE Guaianases), “A importância da literatura Afro na Escola”, Professor Ikechukwu Sunday Nkeechi.

-EMEF Aurea Ribeiro Xavier (DRE Ipiranga), “Memória da Pele Preta”, Professor Marcos Roberto da Silva do Carmo.

-EMEF Florinda Roberto Queiroz de Castro (DRE Itaquera), “Relações Étnico-Raciais como tema interdisciplinar”, Professora Diane Sabrina.

-EMEF Edgar Cavalheiro (DRE Penha), “O Haiti é aqui”, Coordenadora pedagógica, Professora Elane Vilela da Silva Stocco.

Após apresentação dos relatos, a Professora Doutora Rosane Borges, ministrou uma palestra sobre Propostas de Educação antirracista.

Encerrando o período de atividades formativas da manhã, o grupo Agô performances negras, representado por Vanessa Soares e Will Oliveira, apresentaram o espetáculo chamado “Banzo”, uma contação de história performática que através da legitimação, valorização e conscientização da história dos negros no Brasil propõe diálogos e interações com o público.

No período da tarde, professores de três unidades educacionais e um Professor representante da DRE São Miguel puderam apresentar relatos de práticas pedagógicas sobre o tema: “Educação Infantil e a Educação para as relações Étnico-raciais”.

– EMEI Pq. Bologne (DRE Campo Limpo), “Trabalhando com a Educação Étnico-Racial e as Leis nº 10.639/03 e 11.645/08“, Professora Juliana de Almeida Martins Goiz.

– EMEI Carolina Maria Jesus (DRE Butantã), “O trabalho coletivo sobre os Povos Indígenas, Países Africanos e Personalidades Afro-brasileiras na EMEI Carolina Maria de Jesus”, Prof.ª Luciana Bilhó Gatamorta e Professora Lucimara da Silva Camargo.

– DRE São Miguel, “O Jogo da Onça”, Professor Adalberto dos Santos.

– CEU CEI Cidade Dutra (DRE Capela do Socorro), “Projeto Matrizes Culturais”, Professora Débora Garcia Fogli Borba.

Após as apresentações, a Professora Doutora (USP), Heloísa Pires de Lima, subiu ao palco para falar sobre “O literário como janela para o mundo: quais mundos?”.

“A questão da pele é importantíssima, em qualquer trabalho que faça associação com a origem africana, de todos nós. Quando fizermos uma referência a uma determinada cultura, ela precisa ser muito respeitosa”, afirma Heloísa.

O Encerramento do III Congresso Municipal de Educação para as Relações Étnico-Raciais aconteceu com a apresentação cultural do MC Kunumi, um rapper de origem guarani que mora na aldeia de Krukutu, na região de Parelheiros, zona sul de São Paulo, e fala da realidade social sob o ponto de vista dos indígenas por meio de versos.

Veja a galeria de fotos neste link.

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