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Crianças e professoras desenvolvem projeto com árvore bicentenária em escola municipal
“De mãos dadas com o jatobá” é o nome da iniciativa realizada na EMEI Borba Gato e tem entre suas atividades o desenvolvimento de poema cantado, pintura com pigmentos naturais e exposição em mesa de luz
Publicado em: 05/09/2022 14h18 | Atualizado em: 06/09/2022
O jatobá bicentenário fica no parque da escola que recebeu nome homônimo.
Um jatobá bicentenário que fica no parque da EMEI Borba Gato, da DRE Santo Amaro, tem inspirado atividades pedagógicas e de sustentabilidade entre os estudantes da unidade. As ações com foco na preservação da natureza e patrimônio ambiental têm sido uma constante na escola que, nesta segunda-feira (5), para comemorar o Dia da Amazônia, levou as crianças ao Zoológico de São Paulo para aprender mais sobre a fauna e a flora.
A visita faz parte do projeto “De mãos dadas com o jatobá” que reúne as turmas 7 D e E. Após o retorno do recesso escolar, as professoras Simone Candido da Silva e Luciana Novais Pina observaram o interesse das crianças pela “chuva de folhas” que caía do jatobá, a árvore bicentenária que fica no parque da escola e deu nome ao espaço. “Árvore de fruto duro” é o significado de jatobá e o termo vem do guarani.
Segundo a Wikipédia, o jatobá-verdadeiro, jatobazeiro ou apenas jatobá, é uma árvore da família das fabáceas e seu nome científico é Hymenaea courbaril. A espécie pode alcançar 40 metros de altura e 2 metros de diâmetro, embora uma árvore tenha atingido 95 metros na Amazônia.
Pensando na preservação da natureza e do patrimônio ambiental, o projeto desenvolvido pelas professoras e crianças na EMEI com o jatobá de quase duzentos anos sensibilizou o olhar deles para as questões ambientais e se tornou um fio condutor de histórias e possibilidade para trabalhar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) atrelado ao Currículo da Cidade – Educação Infantil.
Simone e Luciana passaram a observar o encantamento das crianças com a árvore, as folhas, as brincadeiras que aconteciam espontaneamente ali com elementos naturais e o quanto as crianças passaram a se envolver com isso.
“Era um encontro das crianças com as folhas, sempre corriam com muita alegria na tentativa de pegá-las ao vento, quando não, pegavam as que estavam no chão. Era possível observar as crianças seguras e livres como ‘pássaros’, notava-se além da sensibilidade, quantas aprendizagens e experiências significativas tínhamos diante dos nossos olhos”, conta Simone.

A delícia e a alegria em brincar com a ‘chuva de folhas’ no parque.
Foi assim que a curiosidade e o interesse das crianças impulsionou a pesquisa, rodas de conversa e de leitura, que aconteceram muitas vezes debaixo do jatobá e este interesse das crianças se transformou no projeto do 2º semestre. As professoras passaram a investigar, anotar e fotografar e filmar as hipóteses e as descobertas das crianças.
Os registros, a observação e a escuta constante das aprendizagens ganhou forma de texto coletivo e transformou-se na poesia cantada “De mãos dadas com o jatobá”, tudo construído coletivamente.
Além do poema, utilizaram a Sala de Leitura para pesquisar sobre os povos originários e o meio ambiente. Luíza Bilar, 5 anos, lembrou que é preciso plantar mais, jogar sementes na terra para ter novos crescimentos após a leitura do livro “A última árvore do mundo”, Lalau e Laura Beatriz. Eles também assistiram ao filme “A árvore refugiada” em que observaram as queimadas e a possibilidade de extinção do jatobá.
As crianças, ainda, estudaram sobre o artista plástico Frans Krajcberg, que também é pintor, escultor, fotógrafo e gravador, realizando leituras e pesquisas sobre sua obra que utilizava troncos e galhos das queimadas para alertar sobre esse tema. Fizeram desenhos com tintas de pigmentos naturais. Estão revitalizando o refeitório com pinturas inspiradas no jatobá e no trabalho do artista indígena Joseca Yanomami.
Priscila Damasceno Arce, diretora da EMEI, diz que “As crianças na Primeira Infância devem ter o direito à educação garantido através de projetos que compartilhem com as novas gerações nosso patrimônio ambiental, literário, artístico e histórico. Mesmo tão pequenas é possível perceber a poética e compreensão que o olhar de cada criança nos revela no processo. Nesta nova escola todos temos aprendido juntos e, sim, as crianças aprendem muito na Educação Infantil a começar pela sombra do nosso imenso jatobá parafraseando Paulo Freire”.
Tintas e pigmentos

Pintura com pigmentos naturais na área externa.
Uma das atividades propostas foi utilizar tinta feita de terra, água e cola para pintar o tronco, as raízes e galhos do jatobá sobre uma folha A3. As professoras também trabalharam questões de sustentabilidade e consumismo, mostrando que nem sempre é preciso comprar algo e que é possível fazer muitas coisas utilizando os elementos da natureza. Para terminar sua arte irão utilizar clorofila extraída de folhas.
Mesa de luz

Instalação de folhas e galhos na mesa de luz do ateliê da escola.
O ateliê da escola é um local de investigação e achados das crianças. Lá, eles fizeram uma instalação com a mesa de luz. As folhas e gravetos que caíram foram recolhidas e, juntamente com as professoras, compuseram um espaço para observar as diferentes folhas, texturas, galhos, cascas, tamanhos, cores e até mesmo o cheiro desses elementos da natureza.
Manuela Mizutani Canuto, 5 anos, e Raul Ferreira Pontes, 6 anos, encontraram uma casca de árvore e levaram para Simone fazendo referência ao artista Frans Krajcberg, apresentado a eles em roda de conversa: “Olha, prô, a obra daquele artista. Vamos levar para nossa sala”, disseram os estudantes.
A professora aproveitou para pontuar que existem diferenças porque o artista trabalha com árvores queimadas, e o que eles tinham encontrado havia caído naturalmente, não foi provocado pelo homem, mas pela própria natureza.
Discutiram a diferença e as similaridades do achado, realizando leituras e pesquisas sobre a peça encontrada por eles. Muitos livros sobre a obra de Frans foram socializados em rodas, além de sua biografia, que aborda a luta contra a degradação climática e o desmatamento em nosso país, contou Simone. Colocaram a casca junto com as outras folhas na mesa de luz.
Revitalização do refeitório

As divisórias de acrílico nas mesas do refeitório ganharam vida com a releitura das obras do artista indígena Joseca Yanomami.
O projeto “De mãos dadas com o jatobá” chegou ao refeitório trazendo uma revitalização para o ambiente. Simone diz que, agora, o refeitório está totalmente diferente porque tem mais alegria, quem chega percebe o impacto.
Nesta vivência as crianças estão fazendo a releitura das árvores dos indígenas yanomamis, em especial, do artista Joseca Yanomami, que está com obras expostas no MASP. A escola possui um livro chamado “Joseca Yanomami: nossa terra-floresta” e eles se dedicaram a refletir sobre as questões de preservação ambiental e cuidado com a natureza.
Desenhos para Dom e Bruno
Como trabalharam a questão da Amazônia e as crianças acompanharam os noticiários em suas casas, elas trouxeram para roda de conversa a questão sobre Bruno e Dom. A professora Simone fala que as crianças ficaram muito comovidas com esses fatos e fizeram desenhos em homenagem a eles. Alguns desenhos ficaram expostos no painel da sala e outros eles levaram para casa.
Mais aprendizados
A próxima etapa do projeto buscará construir um roteiro de entrevistas com as crianças para descobrir mais sobre o jatobá com a presença do engenheiro agrônomo da Subprefeitura de Santo Amaro.
Futuramente, quando a quadra for inaugurada, pretendem apresentar para toda a escola a poesia, fazer exposições com os trabalhos pelos corredores e confeccionar um caderno itinerante sobre o projeto para compartilharem os aprendizados com as famílias.
Poema – De mãos dadas com o jatobá
Raios de sol
No jatobá,
Como alegra
O meu coração.
Ouço os pássaros a cantar
E medito com sua canção.
Quanta potência jatobá,
Purificando o meu dia.
Resistente como um indígena,
Jatobá, da Amazônia
Para minha vida!
Plante uma árvore!
Plante um jatobá!
Cuide da floresta!
Vamos preservar!
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